São Paulo, SP--(
DINO - 27 out, 2016) - O Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, que aconteceu nos dias 25 e 26 de outubro, foi marcado por dois importantes pilares: recorde de público, com mais de 700 pessoas, e a apresentação da pesquisa inédita do setor sobre o Perfil das Mulheres do Agronegócio. A pesquisa foi encomendada pela Transamerica Expo, em conjunto com a PwC e a ABAG, e foi conduzida pela Fran6.
O objetivo do estudo foi realizar o retrato e a realidade da mulher que atua na gestão de empreendimentos agropecuários, através de um mapeamento que identificasse formação acadêmica, perfil do negócio ou empreendimento rural, atuação no negócio, dificuldades e desafios encontrados, gestão de tempo entre trabalho e família e inserção no mundo digital.
Para se ter uma ideia da importância do assunto, segundo o IBGE (dados de 2010), a participação das mulheres no agronegócio e na renda familiar do campo é maior do que a das mulheres que vivem na cidade e representam, respectivamente, 42,4% e 40,7%.
A metodologia adotada foi a da pesquisa quantitativa, realizada com 301 mulheres responsáveis pela gestão ou produção agropecuária no país, e da qualitativa, com 9 mulheres com papel de destaque na gestão de empreendimentos agrícolas, na produção de insumos agrícolas ou no manuseio da produção.
Já o método empregado para as entrevistas foi através de autopreenchimento de questionários online e com aplicação por telefone, ocorridos no período entre 10 de novembro de 2015 a 29 de abril de 2016.
Para as entrevistas em profundidade, qualitativas, foram abordadas mulheres atuantes da pecuária, da agricultura, da distribuição e de insumos. O contato foi individual e pessoal com o intuito de extrair informações profundas de perfil, dinâmicas do ingresso da atividade, realizações, metas, preocupações e dificuldades vividas ao longo da carreira, com foco sobre a diversidade de gênero no setor do agronegócio.
A fase quantitativa contou com técnica híbrida para alcançar a amostra e utilizou abordagem via web e telefone, com listagens cedidas por Federações do setor, pela ABAG, listagens de proprietários agropecuários adquiridas no mercado e indicações de diversas fontes. Foi abordado um número de mulheres cinco vezes maior para se chegar até a amostra. Os 301 casos possuem uma margem de erro de 5% para cada dado relatado a 95% de coeficiente de segurança.
Foi apurado, na fase qualitativa, que as agricultoras e pecuaristas entrevistadas descendem de famílias produtoras no setor, enquanto que as executivas da área de insumo e distribuição vieram de famílias de imigrantes. As mulheres são líderes nos seus setores, reconhecidas e gregárias. E as que estão na gestão de propriedades agropecuárias têm bons resultados econômicos.
Na fase quantitativa, a amostra contemplou mulheres de todas as faixas etárias e raças, com idade média de 48 anos. 60% das mulheres ouvidas têm curso superior.
Entre os principais tópicos abordados sobre a entrada no agronegócio, foram observados 4 dinâmicas diferentes, sendo um tradicional e os outros três mais recentes. São eles: o Processo Familiar, quando a mulher se casa com outro agricultor e se mantém na atividade com comando compartilhado; a Herança Programada, que ocorre quando a mulher de uma família de agricultores adquire formação em agronomia ou similar para retornar ao negócio; a Herança não Programada, quando a mulher tem outra atividade, geralmente em um grande centro, e recebe a propriedade como um desafio profissional; e as Executivas, pioneiras em empresas do agronegócio.
No Processo Familiar, as mulheres entendem que a sua participação é importante, mas nem sempre se colocam como proprietárias ou decisoras. Têm origem de família tradicional no setor por várias gerações e suas vidas pessoais são construídas paralelamente com a atividade agropecuária.
Já na dinâmica Herança Programada, o retorno é programado pela herdeira e não necessariamente é apoiada pela família. A decisão geralmente é da herdeira; Ela faz seus cursos para contribuir com a produção, além de desenvolver planos para atuar no negócio dos pais. Vislumbra novas possibilidades na operação, no cultivo, na criação e na organização do negócio. Está bastante conectada com o que se passa no mundo em relação à sua atividade e algumas se ressentem em sair do círculo de um grande centro.
A categoria Herança não Programada compreende a mulher sem preparo e conhecimento da gestão, mas que aceita o desafio e procura consultores para auxiliar no planejamento, operação e comercialização. Além disso, quer sempre fazer o melhor e inovar. Não se intimida se outros não aprovarem sua proposta de mudança e priorizam o trabalho, em detrimento da vida pessoal.
As executivas enfrentaram grandes desafios nas suas áreas, muitas vezes inéditos para mulheres naquela época. Os maiores estão relacionados à conciliação entre a vida pessoal e a profissional. Apesar de pertencerem à cadeia do agro, trazem pouca referência aos agricultores e pecuaristas na sua carreira.
Entre tantos outros aspectos, o que se observou, segundo a Fran6, foi o surgimento de uma nova mulher no agronegócio, mais preparada, conectada e instigante. Além disso, são atuantes do cenário nacional, abertas à inovação e tecnologia, com visão holística e bastante comunicativa. A principal tendência foi a possibilidade de mudar o setor.
Mais informações sobre o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio através do site
www.mulheresdoagro.com.br.
Website:
http://www.mulheresdoagro.com.br/