São Paulo, SP--(
DINO - 17 out, 2016) - No mundo do marketing, de tempos em tempos surgem "fórmulas mágicas" que prometem revolucionar o árduo trabalho de promover empresas, conquistar e fidelizar clientes. A mais recente é conhecida como growth hacking, que numa tradução literal significa "atalho para o crescimento".
A expressão surgiu no Vale do Silício e se refere às táticas utilizadas pelas empresas de tecnologia iniciantes (start ups) para alcançar uma grande base de clientes no menor tempo possível e com o mínimo de investimento em propaganda. Combina diversas ações de marketing digital (SEO, PPC, virais, e-mail marketing, blogs), programa de afiliados e relações públicas com a análise pragmática da engenharia, ou seja, baseada em métricas e experimentação.
Casos de sucesso como o do Dropbox, que através do growth hacking conseguiu aumentar sua base de clientes de 100 mil para 4 milhões em 15 meses praticamente só no boca a boca, são exemplos clássicos do poder desse novo método e o transformaram no sonho de consumo para as empresas com objetivo de crescer rápido sem gastar dinheiro com publicidade.
Diante dessa nova demanda, é claro que já surgiram diversos "especialistas" em growth hacking prometendo resultados fantásticos com suas técnicas e fórmulas de crescimento rápido, não importa o perfil da empresa (desde, é claro, que tenha dinheiro para contratá-los). A maioria apenas utiliza o termo para chamar atenção e vender o seu trabalho, que muitas vezes consiste no planejamento de ações de marketing e vendas tradicionais.
Para não cair nesse truque, é fundamental entender o contexto em que o growth hacking surgiu e por que apresenta resultados tão impressionantes.
No Vale do Silício, as start ups dependem dos recursos de investidores para sobreviver, e estes só apostam suas fichas em produtos que apresentem perspectivas de crescimento exponencial em poucos anos, caso de aplicativos e serviços de internet como o Dropbox citado acima. Para continuar recebendo dinheiro dos investidores e crescer, as startups investem a maior parte dos seus recursos no desenvolvimento e aprimoramento dos seus produtos para obter a máxima satisfação dos usuários, a tal ponto deles se perguntarem: "Puxa, como consegui viver até hoje sem isso?"
Como ninguém faz esse tipo de questionamento por um produto que nunca experimentou, a estratégia oferecer uma versão gratuita mais simples do aplicativo para que eles conheçam e recomendem a outras pessoas.
Aqui está um aspecto que quase todo mundo dá pouca importância ou omite na hora de falar sobre growth hacking: a principal ferramenta de marketing é o próprio produto. Se ele não tiver a capacidade de encantar os clientes, nenhuma técnica ou tecnologia, por mais bem elaboradas que seja, vai fazê-lo decolar.
Veja o caso do próprio Dropbox, que oferece uma forma de armazenar e acessar documentos na nuvem com a mesma facilidade com que você os guarda e acessa no seu computador. Se o serviço não fosse tão prático, fácil de usar e ainda gratuito, dificilmente teria alcançado tanto sucesso. O mesmo vale para outros cases, como o AirBnB e Uber. O que o growth hacking fez foi promover os seus benefícios para o público certo e incentivar o boca a boca.
Por fim vale lembrar também que, mesmo com tanto sucesso, o Dropbox e uma série de outros serviços que fazem uso do growth hacking (inclusive no Brasil) ainda não são lucrativos. Isso porque, como foi dito aí em cima, o principal objetivo inicial das start ups não é faturar com a comercialização de seus produtos, mas sim aumentar a base de usuários até uma massa crítica que viabilize: a) que uma parcela desse público esteja disposta a adquirir a versão paga; b) a abertura de capital e/ou c) a venda para uma empresa maior.
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