São Paulo, SP--(
DINO - 05 jul, 2017) - O caminho que uma mulher percorre até o diagnóstico efetivo de endometriose é permeado de muitas dores, limitações sociais e profissionais, bem como, de muito sofrimento. O diagnóstico tardio, por vezes, consome uma década da vida de mulheres jovens, cujas queixas iniciais são de fortes cólicas menstruais, além dos riscos de danos irreversíveis em órgãos como os intestinos e bexiga.
O diagnóstico precoce da endometriose e o acesso a exames específicos para a identificação da doença são o propósito do NPE, bem como atendimento cirúrgico qualificado, quando for necessário. A clínica conta com uma equipe multidisciplinar composta por ginecologistas, cirurgião do trato gastrointestinal, nutricionista, fisioterapeutas e psicólogo. Todos provêm da Santa Casa de São Paulo.
A clínica terá condições de atender pacientes de forma privada, mas adotando uma tabela de preços em consultas e exames bem acessível. Exames de imagem também poderão ser realizados na clínica, para conveniência das pacientes e agilidade dos procedimentos.
"Queremos que esta clínica possa vencer o diagnóstico tardio da doença e promover uma mudança na vida dessas mulheres", detalha o Dr. Fabio Ohara. "Os relatos que ouvimos de todas as mulheres que sofrem ou sofreram com esta doença são de que a maioria dos sintomas é sublimada nas clínicas e atendimento clássico, mesmo porque o diagnóstico exige exames mais detalhados que oneram os custos do atendimento, em si".
Vivência
Joelma Cassiano, 34 anos, que faz consultoria para inclusão de Pessoas com Deficiência (PDC), lembra que quase teve de retirar os intestinos por causa da endometriose. Os episódios de cólicas fortíssimas vinham desde a adolescência, mas nenhum médico deu importância para os sintomas que ela relatava. "Um dia, voltando para casa de metrô, desmaiei de dor. Acordei no SSO sem saber o que havia acontecido comigo. Como tenho experiência na área de saúde, me ocorreu coordenar o pedido de exames de imagem mais detalhados porque tinha certeza de que meu problema era Endometriose, apesar da hipótese não ser bem vista pelos médicos que me atenderam até então", lembra. "Não fosse essa intuição, não teria sido possível salvar meus intestinos. Hoje sei que minha carreira e minha vida pessoal poderiam estar em outro patamar, não fosse essa saga da endometriose. Perdi muitas oportunidades de ascensão profissional por causa disso", conclui.
ENDOMETRIOSE
É uma doença que impacta na qualidade de vida de mulheres jovens, em idade produtiva e reprodutiva, e que muitas vezes demora quase uma década a ser diagnosticada.
Foi descrita inicialmente em 1860 envolvendo útero, ovário e trompas e é definida como a presença de tecido endometrial ectópico (estroma e/ou glândula), em diversas localizações como septo reto-vaginal, região entre vagina e intestino, intestino, ligamento do útero sacro, vagina e bexiga.
Dor crônica é a queixa mais comum entre as portadoras da doença, que vem associada à infertilidade, redução das atividades física e laboral, isolamento social, baixo rendimento no trabalho e interferência nas relações afetivas e familiares.
Outros sintomas recorrentes são queixas de dor nas relações sexuais e infertilidade. A demora no diagnóstico e tratamento pode comprometer toda a região pélvica, com danos nos intestinos, bexiga e reto. "Peritônio e o ovário são os principais tecidos atingidos, mas pode ocorrer também, comprometimento intestinal entre 5,3 % a 12%, alcançar 16% em mulheres assintomáticas e até 30%em mulheres inférteis", relata o médico.
Dados estatísticos
Aproximadamente 66% das mulheres portadoras de endometriose apresentam seus primeiros sintomas até os 20 anos. Destas, 38% expressam sintomas antes dos 15 anos. Ainda assim, o diagnóstico é geralmente obtido entre os 25 anos e 35 anos. Este atraso é decorrente em parte, pela falta de sintomas consistentes e da ausência de teste diagnóstico específico em 47% dos casos.
Dados de conjuntura
? Falta informação sobre endometriose no sistema público de saúde;
? 15% das mulheres podem ter endometriose na sociedade;
? No Brasil estima-se que somem seis milhões de mulheres portadoras;
? Falta de serviços especializados no diagnóstico e tratamento;
? Falta de profissionais treinados para atender as portadoras;
? Ausência de reconhecimento por parte dos órgãos governamentais sobre o problema;
? Alto custo do tratamento e falta de verba específica para o tratamento;
? Fila de espera com mais de 250 mulheres portadoras de endometriose intestinal na Santa Casa de São Paulo.
Sobre Dr. Fábio Ohara
Formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), fez residência médica em Ginecologia e Obstetrícia do HCFMRP-USP, com aperfeiçoamento em Endoscopia Ginecológica e Endometriose na Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. É um dos profissionais na liderança do NPE - Núcleo Pró Endometriose
Website:
http://www.nucleoproendometriose.com.br/