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DINO - 25 out, 2016) - Há uma crença entre criadores de suínos, forjada na experiência de gerações, de que leitões em seus primeiros dias de existência não gostam de beber água ou qualquer coisa que não seja o leite materno. Mas assim como o mundo dos humanos, o dos suínos também está sujeito a disrupturas. Os sinais de que se aproxima uma mudança importante nos hábitos alimentares dos porquinhos recém-nascidos estão em uma série de testes científicos realizados pelos pesquisadores de uma startup chamada Tonisity.
Sediada em Dublin, na Irlanda, a empresa nasceu do casamento poliempresarial entre um representante norte-americano de isotônicos para cães e gatos, um fabricante irlandês de alimentos para animais domésticos e o empreendedor brasileiro Arie Halpern, um entusiasta de negócios tecnológicos inovadores e disruptivos.
Habituado a receber propostas de startups, Arie Halpern segue uma cartilha para avaliar se o investimento vale ou não a pena. "A comprovação da utilidade do produto é o teste número um", costuma dizer. Elementar, não há dúvida. Mas para obter as respostas para essa questão elementar "é preciso saber as perguntas que têm de ser feitas e a quem fazê-las", diz Arie Halpern. Foi esse mesmo caminho que o seu pensamento fez quando ouviu falar, pela primeira vez, em isotônico para suínos. Isso aconteceu em Tel Aviv, Israel, onde ele participava de uma reunião.
O caso Tonisity começou, então, quando o economista Alon Rosberg apresentou-se a Halpern como representante de um produto que nos Estados Unidos é chamado de Oralade (
www.oralade.com/), um isotônico para cachorros e gatos. Disse também que estava ali em nome do empresário Antony Mackle, dono de uma das maiores fábricas de alimentos para animais domésticos da Irlanda do Norte, a Mackle Pet Foods (
www.macklepetfoods.com/). Pois, ele e Makle estavam empenhados em desenvolver uma fórmula de isotônico própria para porcos e esse seria um produto inovador, pois não tinham notícia de nada parecido no mundo. Ele, Rosberg, estava lá porque sabia do interesse de Halpern em projetos disruptivos e queria convidá-lo a investir na proposta do isotônico.
Em busca da resposta, Halpern foi à Irlanda. Visitou a fábrica, foi apresentado à equipe que havia desenvolvido a fórmula e depois foi conhecer as fazendas onde faziam os testes com os animais. Viu, com seus próprios olhos, que os porquinhos corriam para ganhar o isotônico. Os consumidores diretos, portanto, tinham aprovado o produto. Começava ali a sua relação positiva com a ideia de investir e participar da administração daquele negócio. Tivera uma demonstração empírica de que o isotônico funcionava. Antes de fechar o acordo, porém, queria submeter o isotônico a uma bateria de testes. "Testar, testar, testar são três etapas cruciais no desenvolvimento de um produto, com mais motivos ainda quando se trata de um produto alimentício", diz Arie Halpern, citando sua cartilha.
Estamos em meados de 2014. Os primeiros testes são informais. Os resultados vão chegando e Arie vai se convencendo da viabilidade do produto. Os porquinhos bebiam muito, gostavam mesmo daquilo, e, o mais importante, a mortalidade da ninhada realmente caía. Era o suficiente para dar mais um passo. Estabeleceu-se uma sociedade e com os primeiros recursos que foram aportados a startup deu início à etapa científica de testes. Agora, tratava-se de realizar experimentos que respondessem aos quesitos para obter a homologação, com base em protocolos e padrões internacionais. Foram submetidos aos testes 4.860 leitões de fazendas dos Estados Unidos, da Espanha e da Irlanda. O isotônico dos leitões recebeu o nome de Px Tonisity, um produto que já está sendo comercializado nos Estados Unidos e na Europa e que, em 2017, chega ao Brasil.
Como vieram comprovar os testes, o Px pode contribuir muito para superar algumas dos maiores desafios que os criadores enfrentam no delicado período que vai até o desmame dos animais. O principal é elevar a taxa de sobrevivência das crias nas primeiras semanas após o parto. A taxa de mortalidade é alta, motivada por problemas esmagamento, ou sufocamento durante a disputa, entre as crias, para conseguir um lugar no peito da mamãe porca. Outros motivos são a diarreias, desidratação e baixo peso. Sobre todas essas fatores, o uso do Px na alimentação dos leitões age favoravelmente, contribuindo para reduzir a mortalidade e aumentar a produtividade da criação.
O isotônico protéico Px também se provou uma bebida agradável ao paladar dos leitões. Esse atrativo é importante, pois estimula o consumo do produto no período em que os animais mais precisam dele. Com a administração do Px, diminui a disputa, na ninhada, para conseguir um lugar no peito da mamãe porca, o que reduz o risco de esmagamento.
Um dos testes, realizado em uma fazenda em Iowa, Estados Unidos, com 968 leitões a partir do segundo dia de vida, mostrou que, no oitavo dia, o grupo de leitões que recebeu Px como suplemento alimentar pesava em média 1,55 kg contra 1,25 kg do grupo que não recebeu Px (grupo de controle). No 35º dia, os leitões do grupo Px pesavam 9,8 kg em média, em comparação com 8,78 kg do grupo de controle. A taxa de mortalidade, por sua vez, foi de 10,3% na turma do Px, contra 15,1% no grupo de controle. Em outro teste, realizado na Irlanda, leitões alimentados com mingau à base de Px pesaram 370 g mais do que os demais uma semana após o desmame. Depois de 13 semanas, os leitões do grupo que recebeu Px pesavam em média 4,78 kg a mais do que os que não receberam.
Comprovada a utilidade do produto, as perspectivas para a startup são ótimas. Diante de si ela tem um mercado enorme por onde se espalhar: no Brasil, o rebanho conta com 60 milhões de suínos; nos Estados Unidos, 150 milhões; na Europa, outros 150 milhões. Para a empresa, o desafio seguinte é posicionar-se corretamente no mercado. Isso envolve muito cálculo, bastante pesquisa e uma boa dose de feeling. O xis da questão é definir o preço do produto de tal forma que ele seja atraente para o produtor e propicie retorno para a empresa. Ou seja, agora é a hora em que a empresa é que deve responder às indagações do produtor: "se eu investir no seu produto, quanto de lucro a mais eu vou ter com a minha criação?"
Website:
http://ariehalpern.com.br/