Releases 30/09/2016 - 12:26

Como preparar filhos para o mundo ao invés de querer mudar o mundo para eles


São Paulo, SP--(DINO - 30 set, 2016) - Eu e minha esposa Cristiana optamos por uma educação de autonomia, de maneira que nossos três filhos, Théo, Davi e Maria, são instruídos de como as coisas funcionam no mundo real. Participam de alguma forma das discussões e projetos familiares, desde a programação de uma simples viagem de férias até o rumo de nossos negócios, independentemente se estamos ganhando ou perdendo. Isso fez com que eles crescessem entendendo como funciona a roda gigante da vida, cheia de altos e baixos, erros e acertos.

Quero deixar bem claro que não é minha intenção fazer qualquer tipo de julgamento quanto às outras escolhas de educação, principalmente quando se trata de estrutura familiar e educação dos filhos. Tenho comigo a máxima de que cada pai, entre os seus erros e acertos, deve encontrar o melhor caminho para oferecer aos filhos a base necessária para se tornarem pessoas coerentes, de caráter, responsáveis, tolerantes e com boa autoestima, afinal, não é tudo que um pai espera de um filho?

Alguns pais, de forma consciente ou não, acabam criando um mundo à parte na infância de seus filhos, um mundo perfeito, seguro e sem dificuldades, como forma de superproteger os filhos. O problema é que eles se esquecem de que este mundo só existe em suas imaginações e que, da porta para fora de casa, o que aguarda essas crianças está muito longe de ser um conto de fadas.

O fundamental é a sinceridade. Quando se coloca uma situação para qualquer criança, independentemente da idade, ela terá capacidade de entender, avaliar e absorver aquilo à sua maneira. Cada criança desenvolve uma maturidade, ao seu tempo, e os filhos são diferentes! O que pode funcionar com um não quer dizer que irá causar o mesmo efeito no outro. E é preciso ter muita cautela e escolher bem as palavras.

Filhos crescem e se tornarão capazes de pensar e tomar suas decisões sozinhos. Tratá-los como eternas crianças pode provocar uma sucessão de erros tais como: primeiro, você acostumará seu filho a receber tudo de mão beijada, ele não participou de nada, apenas fez o que você disse para fazer. Segundo, ele não saberá lidar com problemas futuros, porque não irá compreender que lá atrás foi preciso alguém resolver ou tomar decisões (e nem sempre você estará do lado e disponível para resolver tudo). Terceiro, além de se tornar um adulto psicologicamente dependente dos pais, no mundo real, longe do conforto do seu quarto ou da segurança da sua casa, o "superprotegido" poderá ficar mais suscetível a depressões e outras doenças, isso porque, nas primeiras decepções que ele tiver, irá se sentir impotente, fraco e despreparado para lidar com as situações que acontecem no dia a dia.

Algumas pessoas me criticam por envolver e falar com meus filhos sobre todos os assuntos que, teoricamente, não seriam para a idade deles ainda. Mas costumo responder dizendo que estou preparando os meus filhos para a vida.
Em casa, eu procuro fazer o meu dever de aplicar meus conhecimentos, experiências e aprendizados empreendedores no sentido de dar exemplo aos meus filhos.

Entre as muitas lições e coisas que faço, temos o hábito de NÃO dar MESADA, por exemplo. Desde pequenos, sempre quis acostumá-los a não ter "nada garantido", muito menos de forma tão fácil. Mesadas ensinam às crianças coisas interessantes como organização, controle e disciplina, mas, por outro lado, condicionam e passam uma sensação equivocada de segurança, de ter um dinheiro fixo garantido. Não quero meus filhos focados em "empregos", os quero pensando em "trabalho", o que é bem diferente. Pode ser que eles não consigam empregos formais daqui a cinco anos, então tenho que prepará-los hoje e agora para isso. O que eu faço em relação a dinheiro: dou o suficiente para o lanche na escola e negocio a cada momento e a cada nova necessidade. Procuro promover e nutrir valores como: conquista, competição, realização, gratidão, humildade, resiliência, tenacidade, liderança e interdependência. Palavras que, se uma vez entendidas e incorporadas a suas vidas, nunca mais irão perder o sentido e a força.

É claro que não foi só pelo fator "mesada" que meus filhos já se tornaram empreendedores desde muito cedo, mas por todo o contexto e estrutura familiar. A Maria Braga, de 12 anos já produz cupcakes desde os 8 anos. O Davi Braga de 15 anos, como ele mesmo diz, já está no seu terceiro negócio e agora é fundador de uma startup, chamada de List-IT, de lista de material escolar. O mais velho de 17 anos, o Theo Braga, é um negociador nato (compra e vende muito bem), produtor de eventos e vendedor de ingressos. Aí você pode estar se perguntando, mas eles estudam normalmente? Tiram notas boas? Têm tempo para brincar? Se relacionar? E a resposta para todas essas indagações é: SIM. Talvez por esta minha afirmação, a outra pergunta recorrente que me fazem sobre a educação que dou a eles é: tem como ensinar meu filho a empreender? Minha resposta é: CLARO. Mude o seu comportamento, mude a perspectiva, converse sobre trabalho, sobre outros assuntos e os percalços e desafios da vida. Dê o exemplo dentro e fora de casa para que eles comecem a ter outra visão, tenham um propósito, orgulho de alguma coisa, para que eles procurem ser, pelo menos, igual ou melhor do que você foi ou é. E sabe o que é o bacana dessa transformação ligada ao comportamento? É saber que tudo, lá "no futuro não tão distante", só vai depender deles, não mais de você, pai ou mãe.



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