Sao Paulo, SP--(
DINO - 06 jul, 2017) - De acordo com estimativas da Anahp ? Associação Nacional de Hospitais Privados, os gastos com despesas financeiras dos hospitais membros da entidade aumentaram R$ 250 milhões entre 2015 e 2016, valor que poderia ter sido utilizado na construção de quase 1,3 mil leitos hospitalares (número que representa 6% dos 20.329 leitos dos 80 hospitais membros da associação em dezembro de 2016). Os dados constam na 9ª edição do Observatório Anahp. No ano passado, de acordo com dados do Ministério da Saúde, o país perdeu cerca de 4 mil (3.989) leitos de internação hospitalar.A participação dos gastos com "outras despesas" (que incluem outras despesas operacionais, despesas financeiras e depreciação), que saltou de 7,7% para 9,6% na comparação de 2015 com 2016, foi a que registrou o maior aumento no total de despesas, reflexo, principalmente, da elevação das despesas financeiras ocasionada pelo aumento do custo do crédito, fato agravado pelo elevado prazo médio de recebimento (66,5 dias, ou seja, mais de 2 meses) dos hospitais por parte das operadoras.Analisando a origem das demais despesas entre as instituições associadas à Anahp, nota-se que quase metade dos gastos é oriundo das folhas de pagamento, que em 2016 responderam por 45,8% do total. A participação do custo com pessoal, no entanto, caiu na comparação com 2015, quando 47,5% do total das despesas havia sido desembolsado com a folha. A redução de um ano para o outro é reflexo sobretudo da redução no ritmo de contratações.Em relação aos Recursos Humanos, a taxa de admissões pelo efetivo total (número de colaboradores contratados no período em relação ao total de colaboradores) caiu pelo segundo ano consecutivo (de 2,52% em 2014 para 2,23% em 2015 e 1,84% em 2016). O indicador de desligamentos voluntários (desligamento por iniciativa do próprio empregado), por sua vez, também registrou queda, reflexo, principalmente, de um mercado de trabalho desaquecido. Assim, por causa da redução no ritmo tanto de admissões quanto de desligamentos, o índice de rotatividade dos hospitais Anahp caiu novamente em 2016, atingindo 1,81%, ante 2,11% em 2015 e 2,33% em 2014.O segundo principal componente dos custos são os insumos hospitalares, que responderam por 39,1% da despesa total em 2016, contra 39,2% em 2015 e 41,1% em 2014. A diminuição ano a ano é fruto da pressão intensa das operadoras de planos de saúde para o estabelecimento de regras comerciais e mudanças no sistema de remuneração. Com a retração mais consistente da taxa básica de juros (Selic) promovida pelo Banco Central recentemente, porém, a Anahp estima que o item "outras despesas" será um dos que colaborará para redução dos gastos em 2017. Outro ponto crítico para os hospitais privados em 2016 foi o aumento das glosas. O índice de glosas dos hospitais, medido em relação à receita líquida, subiu de 3,17% em 2015 para 3,44% em 2016, movimento que pode ser atribuído à crise e ao maior rigor das operadoras na realização dos pagamentos de procedimentos e insumos. Após registrarem em 2015 a primeira retração de receita líquida em uma década (-10,9%, em termos reais, em relação ao total de saídas hospitalares), os hospitais privados conseguiram reverter a curva de queda e fechar o ano passado com perdas de apenas 0,8%. Os dados da Anahp refletem principalmente a melhoria de gestão, a contenção de despesas e a retração do volume de investimentos. As despesas também caíram 0,8%, em termos reais, em relação ao total de saídas hospitalares."Os dados indicam, portanto, que as receitas e as despesas praticamente acompanharam a inflação do setor de saúde", analisou Francisco Balestrin, presidente do conselho de administração da Anahp, que ressaltou, porém, que as pressões de custos no setor são crescentes, de forma que a crise vem exigindo aprimoramento de gestão e atenção redobrada às despesas.Apesar da retração de 1,4 milhão de beneficiários de planos de saúde de 2015 para 2016, sobretudo por conta do aumento do desemprego, as operadoras de planos de saúde continuam sendo a principal fonte de receita dos hospitais associados à Anahp. Em 2016, a receita paga por essas empresas respondeu por 93,3% do total dos ganhos totais das instituições hospitalares. Em 2015, essa fatia era de 92,4% e em 2014, de 91,5%.Do outro lado da balança está a participação das receitas oriundas do Sistema Público de Saúde (SUS), que saiu de 3,7% em 2014 para 3,1% em 2015 chegando a 2,7% no ano passado. Os recursos provenientes dos atendimentos particulares, por sua vez, também retraíram de 4,9% em 2014 para 4,5% em 2015 e 4% em 2016.Balestrin destaca que a queda no número de beneficiários afetou principalmente os atendimentos de pronto-socorro, que caíram 3% na comparação com o ano passado. "A melhora na administração das despesas, porém, permitiu ao setor manter o equilíbrio financeiro mesmo diante do segundo ano consecutivo de recessão", concluiu.A receita bruta dos 80 hospitais membros da Anahp em dezembro de 2016 foi de R$ 28,3 bilhões, o que representou 21% do total de despesas assistenciais na saúde suplementar no ano passado e 50% das despesas com internação das operadoras de planos de saúde em 2016.