Releases 14/10/2016 - 17:34

Médicos Residentes do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, na capital paulista, paralisam atividades


(DINO - 14 out, 2016) - Os médicos residentes clínicos de pediatria do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus decidiram em Assembleia ontem a paralisação das atividades, por tempo indeterminado, pela falta de cumprimento da Portaria Interministerial n° 3, de 16 de março de 2016, que determinou o pagamento de um aumento de 11,9% a partir do mês de março. A portaria formalizava o acordo feito no final de 2015 e a conquista do reajuste foi produto do Movimento Nacional de Valorização da Residência, que envolveu residentes de todo país durante a paralisação do final de 2015 que durou 14 dias e que batalhou por outras oito pautas tão importantes quanto a questão do reajuste.

Atualmente, todos os médicos residentes cujas bolsas são pagas pelo Ministério da Educação e Ministério da Saúde estão recebendo os valores corrigidos, conforme acordados no final do ano passado. O mesmo acontece com quem está vinculado às secretárias estaduais e municipais do país inteiro (exceto São Paulo e cidade de São Paulo).

Os residentes lamentam a intransigência e pouco caso com que a situação tem sido tratada. A paralisação, infelizmente, prejudica o atendimento à comunidade. No entanto, não é mais viável que categoria assuma sozinha o ônus pela manutenção de um serviço para o qual as autoridades responsáveis (secretaria de saúde) não reservam recursos suficientes para cumprimento de compromissos já firmados.

"De um modo geral, os chefes de programas de residência médica afirmam que os serviços não dependem do médico residente para dar conta da demanda de atendimento à população, mas sabemos que a realidade é outra, o médico residente representa mão de obra altamente qualificada e barata, por isso o combate sistemático às paralisações de Médicos Residentes", alertou Janaína Bulhões Miranda, diretora da AMERESP.

Para Flávio Taniguchi , diretor presidente da AMERESP (Associação de Médicos Residentes do Estado de São Paulo), não há justificativa para que a situação chegasse ao ponto que chegou: "A negociação está desmoralizada. Não há respeito pelo esforço e comprometimento que os médicos residentes vêm demonstrando. Não dá para seguirmos pedindo mais paciência para os residentes. Para seguirem carregando esta situação nas costas sozinhos".

"A residência médica é um modelo de capacitação que possibilita a formação do profissional em regime especial de treinamento em serviço, com carga horária semanal de 60 horas. Os ministérios da saúde e da educação perceberam a necessidade da valorização da residência médica, garantindo melhorias das atividades e o reajuste da bolsa. É preciso que a Prefeitura de São Paulo cumpra o que foi determinado na Portaria Interministerial" conclui Giovanna Giacomini Ramalho, médica residente do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus.