São Paulo, SP--(
DINO - 25 set, 2017) - Admita, você já pensou em demitir seu chefe. Aquela hora extra não planejada, a microgestão de cada aspecto do trabalho, a falta de reconhecimento das suas qualidades, o roubo de seus créditos ou quando ele não se importa com sua saúde física, psíquica e até financeira - tudo isso pode ser motivo para gerar tensão e um ambiente repleto de conflitos.
"Já vi pessoas fisicamente doentes de tanto "engolir sapo"", afirma o consultor Adilson Souza, Ph.D. em relações humanas pela Florida Christian University. "Colaboradores insatisfeitos, além de desempenharem suas atividades de maneira pior, podem chegar a cometer crimes contra seus superiores."
O episódio é menos raro do que parece. Segundo o pesquisador norte-americano Ronald D. Brown, especialista em crimes cometidos nos locais de trabalho e autor do livro "Dying on the Job" (Rowman & Littlefield Publishers, US$46), algumas tendências podem ser apontadas. Baseado em 350 casos recentes de assassinatos contra chefes, Brown percebeu que quase 75% deles são cometidos por homens solteiros com idade próxima aos quarenta anos, vítimas de chacota e assédio moral por parte de seus colegas e superiores.
Segundo o autor, homens levam até seis semanas para decidir atirar em seus patrões, mas mulheres podem decidir em uma hora. Após um episódio de assassinato, mesmo grandes companhias correm o sério risco quebrar, nunca realmente se recuperando do baque.
Mas é claro que as tragédias podem ser evitadas, se todos batalharem pelos mesmos objetivos. O economista Richard Rytenband, comentarista da RecordNews, assinala que "o líder virtuoso tem que conseguir disponibilizar mecanismos para que as pessoas, de diferentes áreas, possam trabalhar em grupo, incentivando a harmonia e a cooperação". Sua análise também contempla a necessidade vital do erro, baseada na teoria do filósofo Nassim Nicholas Taleb: "É fundamental enxergarmos na tentativa e erro o processo natural para chegarmos às melhores respostas".
O que fazer para promover um ambiente de trabalho mais saudável? O prof. Adilson Souza dá algumas dicas, contidas no livro recém-lançado "Liderança e Espiritualidade: Humanizando as Relações Profissionais" (Editora Simonsen, R$44,90):
1- Desenvolva a confiança
De acordo com um estudo realizado pelas Organizações Gallup com 80.000 gerentes em quatrocentas companhias, o bom relacionamento do empregado com o superior imediato é mais importante para a retenção do funcionário talentoso do que a política de salários e benefícios. Ou seja: se tenho um líder em quem posso confiar, que me inspira, promove o bem-estar dos funcionários e faz com que eu possa atingir meu potencial, mesmo que outra empresa pague um salário maior, o que vai valer na hora da decisão é justamente como me sinto quando estou trabalhando.
2- Respeite a todos
Existe um ditado que diz que para conhecer alguém, basta observar como essa pessoa trata o garçom em um restaurante. Do estagiário ao presidente da empresa, o fato de você cumprimentar alguém, independentemente de ter um relacionamento com ele, é considerado um ato de respeito, valorizado por todos. Respeitar, sobretudo, faz com que a gente tenha uma noção daquele ser humano na sua maior dimensão. Todos temos pontos fortes e fracos e cada um de nós carrega sua história de vida, com suas forças, fraquezas, frustrações, desafios e sonhos. Quando um ser humano olha para o outro e o aceita, apesar de não ser exatamente como ele, ou como gostaria que fosse, isso é um sinal de respeito.
3- Estimule o senso de pertencimento
Tem algo que dá mais conforto do que saber que alguém realmente se importa conosco? Quanto maior
a afinidade e os interesses comuns do grupo, maiores as chances de pertencimento. Numa empresa, o desafio é fazer com que toda a equipe tenha essa sensação.
Um líder com essa capacidade de engajar as pessoas num propósito maior acaba transmitindo isso e envolvendo o grupo em objetivos comuns, sem panelinhas, que são prejudiciais a todos.
4- Pratique a gratidão
A gratidão talvez seja uma das ferramentas mais eficazes para se alcançar a harmonia no ambiente de trabalho. É ela que nos coloca em reverência, que nos deixa em estado de contemplação, que amplifica nossa voz. Sinta-se grato por saber que este é um momento especial e que a vida nos prepara constantemente para que nos conectemos às pessoas que tenham a ver com este momento especial.
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http://www.ciadoslivros.com.br/lideranca-e-espiritualidade-humanizando-as-relacoes-profissionais-1070148-p673548