Releases 08/05/2026 - 15:21

Empreender sob pressão: decisões, tecnologia e cultura marcam a Experiência Itaú Empresas em Goiânia


Evento reúne empresários e especialistas para discutir como inovação e inteligência artificial impactam a gestão e o crescimento dos negócios

Em um ambiente de negócios em que decidir rápido deixou de ser diferencial e passou a ser condição de sobrevivência, o erro custa caro e a inércia, ainda mais. Entre avanços tecnológicos, mudanças no comportamento do consumidor e uma rotina marcada por incertezas, empreender no Brasil hoje exige mais do que coragem. Demanda método, repertório e a capacidade de transformar informação em ação.

Foi nesse contexto que o Itaú promoveu uma Experiência Itaú Empresas, em Goiânia, com o tema “Cultura de inovação e IA aplicada aos negócios”, e reuniu aproximadamente 300 empresários da região para discutir como decisões estratégicas, cultura organizacional e o uso de inteligência artificial (IA) vêm redefinindo o crescimento das empresas.

A iniciativa reuniu clientes do Itaú Empresas e empreendedores de diferentes setores, com transmissão ao vivo pelos canais do Estadão e da instituição financeira. Em comum, a percepção de que coragem e estratégia caminham juntas na construção de negócios sustentáveis.

Ambiente local

A escolha de Goiânia reflete o dinamismo econômico da região. Segundo o diretor de Negócios do Itaú Empresas, Bruno Machado, o encontro busca oferecer suporte concreto a quem está à frente dos negócios. “Não é simples empreender no nosso Brasil, mas a gente quer trazer um conteúdo estratégico para apoiar as decisões importantes que cada um toma todos os dias”, afirmou.

O executivo destacou o peso das pequenas e médias empresas na economia. “Esse segmento representa mais de um terço do nosso PIB e gera milhões de empregos. É um vetor fundamental do crescimento do País”, disse.

Essa atuação, segundo o executivo, tem evoluído para um modelo mais próximo do empresário, com mudança de uma relação centrada no produto para uma atuação como parceiro estratégico, em que o crédito segue relevante, mas passa a integrar uma visão mais ampla de gestão do negócio.

“Na prática, essa atuação consultiva aparece no apoio a decisões muito concretas do dia a dia do empresário. É ajudar a avaliar o momento certo de contratar, investir ou, em alguns cenários, preservar caixa quando o ambiente está mais incerto. A combinação entre proximidade, entendimento da realidade local e uso de dados qualificados permite transformar informação em ação, elevando a qualidade das decisões e reduzindo riscos ao longo do caminho”, explicou.

Histórias reais

No talk show que marcou o evento, três trajetórias evidenciaram que crescer exige decisões estruturais e capacidade de adaptação. A empresária Mariana Perdomo, CEO da Perdomo Doces, relembrou o início do negócio, que nasceu de forma simples. “Comecei com um desejo muito grande de ter a minha independência financeira e de expressar quem eu era através da gastronomia”, disse. O crescimento, segundo ela, veio acompanhado da necessidade de mudança de escala. “Quando conheci uma fábrica, entendi que a empresa podia ser muito maior do que aquilo que eu imaginava”, contou.

No setor de saúde, o farmacêutico Fábio de Faria, CEO da Longevità, destacou o desafio de manter a qualidade em um modelo personalizado. “O conteúdo do produto é exclusivo, mas os processos precisam ser rigorosamente cumpridos”, afirmou. Para ele, tecnologia e padronização são essenciais para sustentar a expansão. “Não tem como pensar em crescimento sem tecnologia, principalmente para garantir rastreabilidade e segurança”, completou.

Na educação, Henrique de Oliveira, sócio e cofundador do Colégio Arena, trouxe o olhar sobre formação de pessoas em um ambiente hiperconectado. “A gente só cria conexão quando existe sinceridade. Os jovens precisam de segurança, de acolhimento e de perspectiva de futuro”, disse. Segundo ele, o diferencial está na capacidade de enxergar o aluno além do desempenho. “A gente passou a olhar para os talentos em diferentes áreas e a potencializar isso”, disse.

Decisão crítica
Apesar das diferenças entre os setores, os relatos convergem em um ponto central. O crescimento é resultado de decisões feitas em momentos de pressão. No caso da Perdomo, uma escolha antecipada fez diferença. “Abrimos o drive-thru um ano antes da pandemia. Quando ela chegou, a operação já estava rodando, e isso mudou completamente o nosso negócio”, afirmou Mariana.

Na Longevità, o salto veio com a profissionalização da gestão. “Eu entendi que quem faz tudo isso são pessoas. Desenvolver o time e investir em tecnologia foi o que mudou o patamar da empresa”, disse Fábio.

Já no Arena, a pandemia foi um divisor de águas. “A forma como a gente reagiu fortaleceu muito a relação com as famílias e com a equipe. A gente ganhou força ali”, afirmou Henrique.

Nova lógica

No encerramento do encontro, o especialista em tecnologia Arthur Igreja apresentou uma leitura prática sobre o avanço da inteligência artificial. Para ele, a tecnologia já impacta diretamente a produtividade das empresas, sobretudo nos bastidores.

“O principal impacto não está na atividade fim, mas nos processos de apoio. É ali que a inteligência artificial aumenta a eficiência e cria diferença entre as empresas”, afirmou.

Ao mesmo tempo, fez um alerta sobre o uso sem critério. “A tecnologia amplia a capacidade, mas não substitui o julgamento. Sem repertório, o risco continua existindo”, disse.

Igreja também destacou que o movimento é inevitável. “Negócios que não usarem inteligência artificial em grande escala vão perder competitividade. Mas ela não resolve tudo. O diferencial continua sendo humano.”

Essa combinação entre tecnologia e estratégia também aparece nos dados apresentados por Bruno Machado. Segundo ele, empresas acompanhadas de perto tendem a planejar melhor, diversificar fontes de receita e se preparar para diferentes cenários econômicos, o que fortalece a gestão e amplia a capacidade de adaptação. Em Goiás, de acordo com estudo citado pelo executivo, negócios atendidos têm 29,1% mais chance de permanecer ativos após cinco anos, além de maior diversificação de atividades.

Valor humano

Se a inteligência artificial tende a se tornar cada vez mais acessível, o que diferencia empresas e profissionais passa a ser outro fator. Capacidade de análise, repertório e tomada de decisão ganham ainda mais relevância em um cenário em que tarefas operacionais perdem valor.

Ao longo do encontro, ficou evidente que inovar deixou de ser uma escolha. Entre tecnologia e estratégia, cabe ao empresário identificar o que realmente gera valor para o negócio.

No fim, como sintetizou Arthur Igreja, o desafio não está apenas na adoção das ferramentas, mas na compreensão do próprio papel nesse novo contexto. “A pergunta que fica é o que cada um de nós faz de único e valioso. É isso que vai fazer a diferença daqui para a frente.”