Fundo Safra Inteligência Artificial aloca recursos em empresas de diferentes segmentos, dos fabricantes de chips às companhias de software, infraestrutura e cibersegurança.
Desenvolvida há décadas dentro dos laboratórios, a inteligência artificial deixou de ser uma promessa para se tornar uma das principais forças de transformação da economia global. Hoje, ferramentas baseadas em IA já fazem parte da rotina de empresas e consumidores, impulsionando investimentos bilionários em infraestrutura, software e processamento de dados. Para investidores, no entanto, o avanço acelerado dessa tecnologia trouxe uma questão importante: como participar desse movimento sem depender do desempenho de uma única empresa ou de uma única aposta tecnológica?
Foi para responder a essa pergunta que o Banco Safra lançou, em março de 2024, o Fundo Safra Inteligência Artificial. Um fundo pioneiro dedicado exclusivamente à tese de IA, o produto foi criado para oferecer uma exposição ampla ao crescimento do setor, investindo em diferentes empresas e segmentos que compõem o ecossistema global da tecnologia. Desde o início da operação, o fundo já acumula a rentabilidade de 136,38% - o equivalente a 446,42% do CDI no mesmo período. Nos últimos doze meses, a rentabilidade ficou em 110,88% - equivalente a 751,22% do CDI.
A estratégia do Fundo Safra Inteligência Artificial tem como ponto de partida uma visão simples: embora boa parte da atenção esteja concentrada nos aplicativos e assistentes virtuais que popularizaram a inteligência artificial, a transformação em curso é muito mais ampla. Por trás de cada ferramenta de IA, existe uma cadeia complexa de empresas responsáveis por desenvolver chips, fabricar equipamentos, operar data centers, armazenar dados, fornecer serviços em nuvem e proteger sistemas contra ameaças cibernéticas. Ao investir em diferentes etapas dessa cadeia, o fundo busca capturar o potencial de crescimento de uma tendência cuja adoção continua avançando em diversos setores.
Velocidade inédita
Os números ajudam a ilustrar a dimensão desse movimento. Durante sua conferência anual para desenvolvedores, o Google I/O, realizada em maio de 2026, o Google informou que seus produtos passaram a processar sete vezes mais tokens do que no mesmo período de 2025 - o token é a unidade utilizada para medir o processamento realizado por sistemas de IA. Ao todo, o Google diz ter processado 3,2 quatrilhões de tokens por mês, num dado que oferece uma medida concreta da rapidez com que o uso da IA cresce em escala global.
O impacto econômico da IA alcança diversos segmentos. Tudo começa no desenvolvimento dos semicondutores responsáveis pelo processamento dos modelos de inteligência artificial. Em seguida, entram em cena fabricantes de equipamentos especializados, empresas de memória, provedores de infraestrutura digital, plataformas de software corporativo e companhias de segurança cibernética. É uma cadeia que conecta diferentes setores e modelos de negócio.
A Nvidia se tornou talvez o exemplo mais conhecido desse fenômeno. A companhia registrou receita trimestral de US$ 82 bilhões e projetou alcançar US$ 91 bilhões no trimestre seguinte, refletindo a demanda crescente por seus processadores voltados para inteligência artificial. Mas ela não é a única beneficiada pelo ciclo atual. Tradicional fabricante de computadores, a Dell informou crescimento de 181% em sua divisão de servidores e armazenamento, impulsionada por investimentos corporativos em infraestrutura para IA. Empresas de memória, software e observabilidade digital também passaram a ocupar posição estratégica na nova economia digital.
O avanço acelerado da inteligência artificial pode dar a impressão de que a maior parte das oportunidades já ficou para trás. Mas muitos dos investimentos que sustentam essa revolução ainda estão em fase de expansão. Empresas seguem ampliando data centers, desenvolvendo novos chips e incorporando IA a produtos e processos em praticamente todos os setores da economia.
Para investidores, isso sugere que o potencial da tese não está restrito às empresas que lideraram a primeira onda da inteligência artificial. À medida que a tecnologia se dissemina, diferentes elos da cadeia podem continuar se beneficiando da expansão desse mercado.
Diversificação
Para investidores, isso significa que a inteligência artificial não deve ser analisada apenas sob a ótica de algumas poucas empresas. Trata-se de um ecossistema amplo, composto por diferentes elos que podem se beneficiar do crescimento da tecnologia. É justamente essa visão que orienta a construção do Fundo Safra Inteligência Artificial.
Em vez de concentrar recursos em uma única companhia ou segmento, a estratégia busca exposição a diferentes camadas da cadeia produtiva da IA. O portfólio contempla empresas ligadas ao desenvolvimento e à fabricação de semicondutores, como Nvidia, AMD e TSMC. Também inclui companhias de memória, como Micron, além de organizações voltadas para software, monitoramento de sistemas e gestão de dados, como Datadog e Snowflake.
Outro componente importante está na área de cibersegurança. À medida que empresas ampliam o uso de inteligência artificial e passam a lidar com volumes crescentes de informações, cresce também a necessidade de proteção digital. Por isso, companhias especializadas em segurança ocupam espaço relevante dentro da tese de investimento.
Na prática, a estratégia procura refletir a compreensão de que a inteligência artificial não será impulsionada por um único produto ou por uma única empresa. Seu crescimento depende da interação entre diferentes tecnologias, fornecedores e modelos de negócio. Essa diversificação permite que o investidor tenha acesso a uma tendência global por meio de uma única solução estruturada.
Outro diferencial é a proteção cambial adotada pelo fundo. Como boa parte das empresas que lideram o desenvolvimento da inteligência artificial está sediada fora do Brasil, a estratégia busca reduzir os efeitos da volatilidade cambial sobre o investimento, permitindo que o foco permaneça na evolução da tese tecnológica.
Mais do que uma tecnologia específica, a inteligência artificial vem criando uma nova infraestrutura econômica global. Para investidores, compreender essa transformação significa olhar além das aplicações mais visíveis e acompanhar toda a cadeia que torna essa revolução possível. É justamente essa visão ampla que orienta a estratégia do Fundo Safra Inteligência Artificial.