Avanço da tecnologia e uso crescente de dados geram aumento da exposição das empresas a riscos; criado há seis meses, fundo do Safra dedicado ao setor de segurança digital busca capturar oportunidades em pauta cada vez mais essencial para as organizações
Além de transformar a forma como as empresas operam, a inteligência artificial tem criado uma série de novas necessidades corporativas. Entre elas, a cibersegurança ocupa posição de destaque. À medida que cresce o uso de aplicações em nuvem, APIs, dados, agentes autônomos e outras ferramentas, a segurança digital se torna cada vez mais relevante na infraestrutura necessária para o funcionamento dos negócios. Em meio à revolução da IA, proteger sistemas, dados e identidades não é só uma prioridade, mas pode ser também uma oportunidade de investimento.
Nesse contexto, o Safra lançou no início de 2026 o Fundo Safra Segurança Digital - Cybersecurity, voltado à exposição indireta a empresas relacionadas ao setor. Em seus primeiros seis meses, o fundo acumula rentabilidade superior a 700% do CDI. Mais relevante do que a rentabilidade no curto prazo, porém, é a tese do fundo, baseada na ideia de que a necessidade de investir em segurança tende a acompanhar a própria digitalização da economia.
Afinal, quanto mais as empresas adotam a IA e buscam nela ganhos de produtividade e eficiência, maior será a necessidade de fazer investimentos robustos em cibersegurança. Mais do que apenas criar novas oportunidades de negócios, a expansão da inteligência artificial também amplia a superfície que precisa ser protegida pelas organizações.
É um movimento contínuo, que se soma a outras transformações tecnológicas. Quando as empresas passaram a migrar sistemas para a nuvem e adotaram o trabalho remoto, por exemplo, também precisaram criar novas formas de controlar acessos, proteger informações e verificar identidades. Agora, a inteligência artificial acrescenta novas camadas de complexidade a esse ambiente, ao permitir que sistemas processem mais dados, interajam entre si e executem tarefas de maneira cada vez mais autônoma.
Cadeia ampla de soluções
Antes mesmo da IA, a cibersegurança já ocupava papel relevante dentro do universo corporativo. A diferença é que a atual revolução tecnológica acelera esse processo. Agentes autônomos, por exemplo, podem acessar sistemas, dados e ferramentas para executar tarefas sem a mesma intervenção humana de antes. Ao mesmo tempo, recursos de inteligência artificial também podem ser utilizados por criminosos para tornar ataques mais rápidos e sofisticados. Isso cria uma espécie de corrida permanente entre quem desenvolve novas tecnologias e quem precisa protegê-las.
É uma característica que explica por que os gastos com segurança tendem a ser mais resilientes do que investimentos associados a diversas tendências tecnológicas. Em um cenário de maior exposição, não há motivos para que uma empresa decida reduzir seus gastos com cibersegurança. Isso se explica também pelo aumento significativo de ataques cibernéticos nos últimos anos: segundo dados da Check Point Research, por exemplo, as organizações brasileiras sofreram, em média, 4 mil ataques por semana em junho de 2026, um salto de 44% na comparação com o mesmo período do ano passado.
O setor de cibersegurança também tem se sofisticado para responder a esse crescimento. Mais do que apenas uma barreira, a segurança digital envolve uma cadeia ampla de soluções. Entre elas estão ferramentas de proteção de redes e endpoints, segurança em nuvem, controle de identidade e acesso, proteção de dados, monitoramento, detecção e resposta a ameaças e segurança de aplicações.
Outra oportunidade nesse mercado está no potencial para um movimento de consolidação. Segundo dados do Safra, uma empresa utiliza, em média, 83 ferramentas de segurança, oferecidas por cerca de 29 fornecedores. Nesse cenário, companhias que já possuem escala e conseguem reunir diferentes soluções podem ganhar espaço, também criando uma janela de oportunidade para investimentos no setor.
Complementaridade
Embora a cibersegurança seja diretamente beneficiada pelo avanço da IA, é preciso fazer uma distinção importante: investir no setor não significa simplesmente fazer uma segunda aposta na inteligência artificial. Os dois mercados estão relacionados, mas têm respondido de maneiras diferentes aos mesmos acontecimentos.
Uma nova tecnologia, um modelo mais barato ou uma mudança na percepção sobre o potencial da IA podem afetar empresas diretamente ligadas ao desenvolvimento dessa tecnologia. A necessidade de proteger os sistemas, por outro lado, permanece mesmo quando essas expectativas mudam. Nos primeiros meses de operação, o Safra observou baixa correlação entre o desempenho do fundo de segurança digital e o dos fundos dedicados ao ecossistema geral de inteligência artificial, como o Fundo Safra Inteligência Artificial.
A proposta é oferecer um produto que propicie uma alocação temática de médio e longo prazo, sujeita aos riscos e à volatilidade próprios dos investimentos em renda variável. A baixa correlação observada entre as duas estratégias no período é um dos argumentos utilizados pela instituição para defender o potencial de diversificação.
A velocidade com que novas tecnologias surgem também aumenta a importância da seleção das empresas. Em vez de simplesmente acompanhar um índice ou investir indiscriminadamente no setor, a estratégia do Safra é baseada em gestão ativa, com acompanhamento das companhias por um time de pesquisa dedicado, que avalia sua capacidade de transformar investimentos em tecnologia e resultados.
A curadoria também faz parte de uma estratégia ampla do Conglomerado para acompanhar o desenvolvimento da inteligência artificial e das indústrias que surgem ao redor dela. Além de produtos relacionados ao ecossistema, o Safra mantém equipes dedicadas a pesquisar novas tecnologias, identificar gargalos e avaliar oportunidades que possam se transformar em novas teses de investimento, unindo a inovação em diferentes frentes.