Releases 17/09/2026 - 12:40

Banco Central corta Selic para 13,75% pela quinta vez seguida, na contramão do aperto sinalizado pelo Fed nos EUA


I nflação dentro da meta abre espaço para o corte para decisão unânime; para economista da ACSP, a moderação da atividade econômica pesou mais que as incertezas externas, mas o ciclo de cortes segue cauteloso

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, na noite desta quarta-feira (16). É a quinta redução consecutiva da taxa básica de juros brasileira.

A decisão chama atenção pelo contraste com o anúncio de horas antes d o Federal Reserve, sinalizando nova alta de juros nos Estados Unidos ainda em 2026. A divergência ocorre em meio à escalada dos preços do petróleo, pressionados por conflitos armados no Oriente Médio, fator que também pesa sobre as decisões dos bancos centrais ao redor do mundo.

Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a decisão do Copom "veio em linha com a grande maioria dos analistas de mercado". Segundo ele, "a inflação corrente recuou para 4,2% em doze meses, retornando ao intervalo da meta, e os núcleos apresentaram melhora adicional, liderada pelos bens industriais" -- leitura compatível com o IPCA de agosto, divulgado pelo IBGE, que trouxe o índice acumulado em 12 meses a 4,22%, dentro do intervalo de tolerância perseguido pelo Banco Central.

Ainda assim, o economista pondera que o cenário está longe de trivial: "Num contexto de expectativas inflacionárias distantes do centro da meta, mercado de trabalho aquecido e incertezas externas relevantes, com nova elevação dos preços do petróleo e pressão na curva de juros norte-americana, parece ter pesado mais a moderação gradual da atividade econômica, evidenciada pela desaceleração do consumo das famílias no segundo trimestre, que tende a diminuir a pressão sobre os preços e justifica uma política monetária menos contracionista, porém ainda cautelosa."

Gamboa já havia destacado, antes da decisão, a importância de observar o comunicado divulgado pelo Copom logo após o anúncio, "para avaliar as causas da decisão, se esta foi unânime, e se haverá alguma sinalização sobre a extensão do ciclo de redução dos juros básicos". O comunicado confirmou o cenário antecipado pelo economista: a decisão foi unânime, e o Copom reforçou a leitura de moderação gradual da atividade e de mercado de trabalho ainda aquecido, mantendo o tom de cautela sobre os próximos passos do ciclo.

Esta foi a última reunião durante o período eleitoral. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 3 e 4 de novembro.

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Fundada em 1894, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) é a maior associação empresarial do Brasil, com 132 anos de história e mais de 15 mil associados. Sob a presidência de Alfredo Cotait Neto, maior liderança do associativismo empresarial brasileiro, a entidade é a principal voz do empreendedor nacional na defesa da livre iniciativa.

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