IA pode reproduzir desigualdades de gênero, alerta presidente do CMEC no BRICS
Em Nova Délhi, Ana Claudia Badra Cotait defende maior presença de mulheres nas decisões sobre desenvolvimento e uso da inteligência artificial
Foto: Divulgação / ACSP
Falar em uma inteligência artificial inclusiva sem garantir a participação das mulheres na construção dessa tecnologia é incoerente, afirmou Ana Claudia Badra Cotait, presidente do Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), durante o BRICS WBA Women -Led Development Summit 2026, em Nova Délhi, na Índia.
O encontro reúne mulheres empreendedoras, lideranças empresariais e representantes dos países do BRICS para discutir temas como tecnologia, inovação, empreendedorismo e desenvolvimento. A agenda integra a programação do summit organizado pela presidência indiana para o bloco.
"Precisamos de mais mulheres cientistas, engenheiras, pesquisadoras, empreendedoras e líderes participando das decisões sobre como a IA será desenvolvida e utilizada", defendeu Ana Claudia. A afirmação foi feita durante o painel "AdvancingWomen in STEM, Digital Technologies andInnovation: FromClassroomto Frontier", que ocorreu nesta quarta-feira, 9/9, e discutiu formas de ampliar a presença feminina nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), da formação profissional ao desenvolvimento de novas tecnologias.
Para Ana Claudia, não basta estimular a entrada de mulheres nessas áreas. É preciso criar condições para que elas ocupem posições de liderança, tenham acesso a investimentos e consigam transformar conhecimento em negócios. Nesse processo, segundo ela, governos, empresas e universidades têm responsabilidades complementares, que passam por políticas de incentivo, oportunidades profissionais, investimentos em inovação e aproximação entre conhecimento, tecnologia e empreendedorismo.
O risco dos vieses na inteligência artificial
Foto: Divulgação / ACSP
Um dos pontos levantados pela presidente do CMEC, Ana Claudia Badra Cotait, foi o risco de os sistemas de inteligência artificial reproduzirem desigualdades já existentes na sociedade.
A preocupação está relacionada à própria forma como esses sistemas são desenvolvidos. Se os dados usados para treiná-los carregam desigualdades históricas, culturais ou de gênero, a tecnologia pode acabar reproduzindo esses padrões em uma escala ainda maior.
"A tecnologia não deve apenas reproduzir o mundo que temos. Ela deve nos ajudar a construir o mundo que queremos. Um futuro só será verdadeiramente inovador se considerar a diversidade cultural, regional e de gênero que existe dentro de nossos países e entre nossas nações", afirmou Ana.
Entre as medidas apontadas por Ana Claudia estão a produção e utilização de dados que representem melhor a diversidade das sociedades, a formação de equipes diversas de desenvolvimento, a transparência dos algoritmos, a avaliação contínua dos sistemas e mecanismos de governança capazes de identificar e corrigir possíveis vieses.
Para ela, a cooperação entre os países do BRICS pode contribuir para esse processo. O grupo reúne nações com diferenças culturais, sociais e econômicas importantes e, justamente por isso, pode servir como espaço para a troca de experiências e construção de boas práticas.
"Quando compartilhamos experiências e respeitamos as diferenças culturais, regionais e sociais, podemos construir soluções mais adequadas às diferentes realidades dos países", declarou a presidente do CMEC.
O lugar de uma jovem de 16 anos
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Durante o painel, as participantes receberam um desafio: imaginar uma jovem de 16 anos, apaixonada por ciência, na plateia, mas sem saber se aquele universo também poderia ser seu. Cada debatedora teria 30 segundos para transmitir uma mensagem capaz de ajudá-la nessa decisão.
Ana Claudia aproveitou o momento para falar sobre as barreiras culturais e sociais que ainda afastam meninas das áreas de ciência e tecnologia. "Acredite que este lugar também é seu. Estude, questione, tenha coragem de ocupar espaços e não espere ser convidada para liderar", respondeu Ana.
A coragem, segundo a presidente do CMEC, é um dos elementos necessários para ampliar a presença das mulheres no setor de tecnologia, especialmente nos espaços de decisão. "O holofote precisa estar onde existe coragem, conhecimento e capacidade de transformar. O nosso papel aqui é abrir caminhos para que as mulheres não sejam apenas participantes, mas protagonistas e líderes da transformação", afirmou.
A participação brasileira no encontro faz parte da agenda do CMEC no BRICS e busca aproximar empreendedoras, empresas e organizações dos países do bloco em torno de tecnologia, inovação e novas oportunidades de negócios.
Ana Claudia Badra Cotait
Ana Claudia Badra Cotait é presidente do Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC) e líder do Instituto Liberdade Para Empreender (ILPE). Coordena uma rede de mais de 950 conselhos no Brasil, com atuação voltada ao fortalecimento da mentalidade empreendedora e à ampliação da participação das mulheres nos negócios. Tem 30 anos de experiência no Senado Federal, é especialista em Governança Corporativa pelo Insper, diretora da Câmara de Comércio Brasil-Líbano e membro do Fórum da Mulher Empresária da CNI.
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