São Paulo, SP--(
DINO - 14 jul, 2017) - A mulher brasileira vive, em média, sete anos a mais que o homem brasileiro. Uma das razões é a relação diferente deles e delas com a própria saúde. Os homens vão oito vezes menos ao médico e, quando se consultam, poucas vezes é de forma espontânea: ou já possuem sintomas de uma doença mais grave ou fazem um check-up geral para saber se está tudo bem e não ter mais que tocar no assunto. Não buscam, por exemplo, estabelecer uma relação de confiança com um especialista.
Os homens se mostram mais refratários a ir ao médico e, quando o fazem, geralmente chegam ao consultório levados pelas mulheres. Essa questão cultural e social tão enraizada prejudica a saúde masculina.
Já a mulher vai ao médico, procura cuidar do seu corpo, da sua alimentação, é mais disciplinada e informada. E esse é um fator já enraizado na cultura nacional. O homem simplesmente evita ir ao médico e, com essa postura, ao longo dos anos, deixa de ser avaliado e informado sobre problemas cardíacos, riscos metabólicos, e doenças como o câncer de próstata, que registra mais de 60 mil novos casos por ano aqui no país.
Este tipo de tumor é o de maior incidência entre os brasileiros, envolvendo um a cada seis homens. É uma doença que, se diagnosticada precocemente, tem grandes chances de cura em 90% dos casos. Além disso, em algumas situações, não necessita de tratamento, podendo o paciente ser apenas acompanhado de perto pelo médico, com total segurança. Hoje, com o avanço da tecnologia, os tratamentos deixam nenhuma ou poucas sequelas e o paciente tem uma vida virtualmente normal.
Porém, se não houver o diagnóstico preciso e no momento certo, as consequências podem ser graves. Se há a falta do cuidado, o rastreamento é falho e o diagnóstico é tardio, as chances de sobrevida com qualidade diminuem consideravelmente.
Na questão cardiovascular, essa falha em fazer acompanhamento médico e demora em procurar informações e realizar exames pode causar agravamentos, já que as doenças cardíacas são silenciosas e evolutivas ? ou seja, quanto mais tempo demora para diagnosticar e tratar, maior a porcentagem instalada.
Estudos apontam que a partir da quarta década de vida e até os 65 anos, o homem é mais afetado do que as mulheres pelas doenças cardiovasculares ? após essa idade, a situação se inverte.
A pressão social é também vilã do homem nesse aspecto: o excesso de trabalho exigido pela sociedade atual gera esse tipo de condição. Questões e hábitos da sociedade levam a uma dieta ruim, calórica, à falta de tempo de cuidar da saúde. A prática de atividade física fica em segundo plano.
É importante identificar os fatores de risco, cuidar e fazer com que não tenham tempo de se instalar. Quando consideramos que um terço de todas as mortes do mundo podem ser atribuídas a poucos fatores de risco ? hipertensão, tabagismo, sedentarismo, dislipidemia e obesidade ? percebemos a importância da conscientização para cuidar da saúde.
Por isso, os esforços como do Instituto Lado a Lado Pela Vida e do Instituto Vencer o Câncer, para que o homem se cuide e reconheça no profissional de saúde um aliado, são sempre bem-vindos e podem ajudar a mudar este cenário no Brasil.
Fernando Maluf, médico Oncologista, fundador do Instituto Vencer o Câncer, membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida;
Marcelo Sampaio, médico cardiologista da Beneficência Portuguesa e do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida
Website:
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