ESTOCOLMO, Suécia, 2013-06-14 15:00 CEST (GLOBE NEWSWIRE) --
Novas diretrizes apresentadas pela Federação Internacional de Talassemia (FIT)
tratam da gestão de talassemias não dependentes de transfusão (TNDT) e são as
primeiras do gênero no campo da hematologia médica. Apresentadas hoje no 18º
Congresso da Associação Europeia de Hematologia (AEH), as diretrizes
representam um consenso de opinião de especialistas internacionais atingido com
base nos dados mais recentes. Elas foram elaboradas para providenciar
protocolos fáceis de seguir que os médicos podem usar para melhor identificar e
administrar essa população de pacientes, que, muitas vezes, é negligenciada ou
subdiagnosticada.
TNDT é um termo usado para rotular pacientes que não precisam de transfusões de
sangue regulares e vitalícias para sobreviver, mas que podem necessitar de
transfusões ocasionais ou mesmo frequentes em determinadas situações clínicas e
por períodos definidos. As talassemias não dependentes de transfusão incluem a
talassemia intermédia, a HbE/talassemia e a alfa-talassemia (HbH); afetam
predominantemente pessoas de origem mediterrânea, do Sul e Sudeste Asiático e
do Oriente Médio.
"A TNDT afeta uma população igual ou até mesmo maior do que a beta-talassemia
maior em uma escala global, porque é mais prevalente em algumas das regiões
mais populosas do mundo, como o Sudeste Asiático e a região do Pacífico
Ocidental", disse a Dra. Androulla Eleftheriou, diretora-executiva da FIT.
"Devido à migração e aos movimentos da população mundial, a TNDT existe em
quase todas as regiões e países do mundo, inclusive na Europa".
"Na última década, fizemos grandes progressos para entender melhor a gestão da
doença - com destaque para a função da terapia transfusional e da terapia de
quelação de ferro", continuou a Dra. Eleftheriou. "As diretrizes de TNDT da FIT
oferecem as evidências médicas mais atuais para ajudar os médicos a tomarem
decisões terapêuticas melhor informadas, de modo a que possam melhor
influenciar os resultados dos pacientes e evitar complicações da doença".
Sem dúvida, os novos dados inclusos nas diretrizes contribuirão para uma melhor
compreensão da TNDT e esclarecerão para a comunidade médica que, mesmo na
ausência de terapia transfusional, os pacientes de TNDT ainda estão em risco de
desenvolver sobrecarga de ferro crônica por causa do aumento da absorção de
ferro no estômago e intestinos, o que é desencadeado pela necessidade de mais
glóbulos vermelhos pelo corpo.
"Sem uma gestão adequada da doença, as pessoas com TNDT ainda podem desenvolver
um acúmulo perigoso de ferro em órgãos vitais; isso pode causar complicações
graves e potencialmente fatais", complementou o Dr. Michael Angastiniotis,
consultor médico da FIT.
Os principais destaques das diretrizes de TNDT incluem:
- A terapia de quelação de ferro deve ser iniciada em pacientes de TNDT com
concentração hepática de ferro (CHF) de >5 mg Fe/g de peso seco e mantida até
que os pacientes alcancem níveis de <5 mg Fe/g de peso seco.
- Os pacientes que alcançarem níveis abaixo de 5 mg Fe/g de peso seco devem
parar de receber quelantes, tendo uma oportunidade de tirar "férias dos
remédios". Essa estratégia pode potencialmente atenuar as implicações
psicossociais de se comprometer com um tratamento vitalício.
- Os pacientes devem ser monitorados com atenção por meio de avaliação da CHF
a cada 1-2 anos. Assim, é possível identificar os pacientes que estão se
aproximando dos valores de >5 mg Fe/g de peso seco e que, portanto, precisam da
reintrodução da terapia de quelação.
- O ônus de infusões prolongadas e regulares de desferroxamina afeta a
estabilidade psicossocial dos pacientes e sua qualidade de vida; também tem
impacto na observância. Foi demonstrado que a falta de observância está
negativamente correlacionada com a sobrevivência. Foi demonstrado que as
formulações orais da terapia de quelação de ferro têm um impacto positivo na
qualidade de vida do paciente e que, portanto, devem ser consideradas para os
pacientes de TNDT que precisam de terapia de quelação de ferro.
"Um dos objetivos da disseminação dessas diretrizes é ajudar a preparar médicos
e sistemas de saúde do mundo todo para melhor entenderem e reconhecerem a
importância clínica da TNDT, além de orientar os médicos que estão menos
familiarizados com a doença. Isso contribuirá para uma melhor identificação e
para o tratamento efetivo dos pacientes de TNDT", declarou a Dra. Eleftheriou.
"Essa questão se tornou mais urgente; afinal, o aumento da globalização e da
imigração significa que grandes populações de imigrantes levaram a TNDT para
muitos países em que ela era muito rara no passado. A necessidade de educação e
conscientização não é exagerada", afirmou Panos Englezos, presidente da FIT.
-- Cópias das diretrizes e de outras publicações da FIT estão disponíveis em
thalassaemia.org.cy/list-of-publications
Sobre a FIT
A Federação Internacional de Talassemia (FIT) é uma organização não
governamental internacional sem fins lucrativos oficialmente ligada à
Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 1996. Trata-se de uma grande federação
composta por 112 associações nacionais de pacientes de talassemia localizadas
em 62 países no mundo todo. Sua missão é o desenvolvimento e a criação de
Programas Nacionais de Controle para a prevenção e o tratamento de qualidade da
talassemia e de outras hemoglobinopatias em todos os países "afetados".
Para cumprir sua missão e atingir seus objetivos, a FIT lançou, em 1990, um
programa educativo com ênfase nas necessidades dos pacientes, da comunidade
médica e da comunidade em geral. Esse programa é aceito e reconhecido
internacionalmente em função de seu conteúdo confiável, atualizado e de
qualidade. Os dois pilares principais do programa educativo da FIT são a
organização de eventos em nível local, regional e internacional, além da
preparação, tradução, publicação e distribuição de materiais educativos.
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