Rio de Janeiro, RJ--(
DINO - 30 set, 2016) - Ricardo Knopefelmacher assegura que mau humor de investidor estrangeiro com o Brasil é temporário. Para ele, há um exagero no pessimismo em relação ao cenário político-econômico nacional. Ricardo Knopefelmacher sabe do que está falando: foi responsável nos últimos cinco anos pela renegociação de 100 bilhões em dívidas de empresas.
"Ao longo de minha trajetória profissional, atuei em grandes projetos de reestruturação. Somente nos últimos cinco anos, foram mais de 100 bilhões em dívidas renegociadas , sendo 46 bilhões do grupo EBX. Esse histórico trouxe grande experiência em debelar turbulências corporativas, além capacidade de analisar o ambiente empresarial brasileiro. Por isso, considero haver uma histeria desnecessária do mercado em relação ao quadro político e econômico do País. Por obrigação profissional, estou permanentemente em contato com investidores estrangeiros, e posso assegurar que o mau humor deles em relação ao Brasil é temporário. Os fundos de investimentos vão perceber que o Brasil oferece excelentes oportunidades e vão ter importante papel na aquisição de ativos nacionais", disse Ricardo Knopefelmacher.
De acordo com Ricardo Knopefelmacher, boa parte do esfriamento do mercado financeiro em relação ao Brasil é motivada por uma cautela exagerada do investidor.
"A forma como os investidores estrangeiros estão enxergando o Brasil depende da posição em que se encontram. Há dois grupos diferentes. Um é o credor, em geral um bondholder (detentor de bônus) que tem garantias baixas ou mal feitas relacionadas à dívida de uma companhia brasileira. O medo é até que ponto está suficientemente protegido agora que a Companhia tem dificuldade de pagar o cupom. A pergunta é quão fácil é executar a garantia caso necessário. O outro grupo é composto por investidores. A pergunta deles é quão melhor vão ficar os ativos no Brasil. Há um crescente entusiasmo por parte de alguns fundos financeiros. Alguns ainda estão querendo esperar um pouco, muito por conta de uma questão não trivial e muito subjetiva sobre o momento político e institucional do País, que acho que é superdimensionada. Mas tendem a voltar, com certeza", explicou Ricardo Knopefelmacher.
Ricardo Knopefelmacher ressalta ainda que o Brasil, apesar da dívida interna, tem uma situação econômica estável, com reservas cambiais e sem dívidas externas.
"Nós somos brasileiros, já passamos por muitas crises e sabemos que o Brasil tem uma inércia, um tamanho e uma escala que o investidor de longo prazo não se afugenta assim tão fácil. Ele se assusta mais com a quebra de contratos, taxação ou impostos muito altos para remeter dividendos. Esse é o tipo de coisa que afugenta o investidor. Mas, até o momento, não é o nosso caso. Acho que há um mau humor geral com sobre alguns mercados emergentes e em especial pela turbulência política que estamos vivendo, mas acho que é uma coisa temporária. O Brasil é um pais que tem reservas cambiais solidas, não tem mais problema de dívida externa, só de custo da dívida interna. No geral, sou muito otimista. Continuamos tendo uma situação razoavelmente boa, o mercado vai perceber isso e a histeria vai passar", salientou Ricardo Knopefelmacher.
Para Ricardo Knopefelmacher, a solução em médio prazo para grande parte do empresariado brasileiro será um novo plano de negócio, mais adaptado com a realidade, com a venda de ativos e renegociação de dívidas.
"O que pode atrapalhar o processo de rearrumação da economia é que temos grandes conglomerados brasileiros muito alavancados. Isso não quer dizer que as empresas são ruins, que vão pedir recuperação judicial. Renegociações amistosas vão surgir nos próximos meses. As reestruturações em curso são muito mais financeiras, de rediscussão com bancos e fornecedores, do que operacionais. O que a gente tem feito é montar um nono plano de negócios, verificar que ativos precisam ser vendidos e qual o novo perfil da dívida. Na maioria das vezes resolve. Os credores são ávidos por uma solução que não envolva recuperação judicial.
A boa notícia é que todas essas empresas têm bons ativos para vender. Eventualmente, alguns ativos de infraestrutura vão acabar indo para a mão de um grande fundo de participações ou de um operador estratégico internacional, que antes não conseguia entrar porque as empreiteiras e construtoras tinham um mercado cativo. Acredito que o setor vai passar por mudanças, principalmente, no que se refere à governança. O modelo de alguns grupos poderá ser revisto. Mas não é porque os grandes bancos tiveram problemas com a crise de 2008 que os banqueiros americanos deixaram de existir. O Brasil está muito melhor que no passado. Há mais transparência. Creio que teremos uma depuração de práticas comerciais e que as melhores empresas ressurgirão em condições de contribuir muito", concluiu Ricardo Knopefelmacher.
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