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DINO - 29 set, 2016) - O mercado de compra e venda de carteiras em atraso ("non-performing loans" ou "NPL") se tornou muito ativo nos últimos anos. Para os sócios-diretores da RCB Investimentos, Alexandre Nobre e Renato Toledo, a dinâmica e o crescimento deste segmento, no entanto, é fruto de um movimento estrutural e não apenas consequência do aumento da inadimplência, que naturalmente cresce em cenários de crise. "Essa atividade é benéfica para o país, pois um mercado ativo de NPL aumenta a oferta de crédito, reduz juros, gera valor para instituições financeiras e seus acionistas, e ajuda o consumidor final a adequar suas obrigações à sua condição financeira atual", afirma Nobre.
A venda de recebíveis em atraso é uma parte indispensável da estratégia e régua de recuperação de crédito de bancos, financeiras e empresas nos EUA e Europa. Nessas regiões, o volume de operações de carteiras NPL chega até US$ 40 bilhões ao ano em valor de face, considerando apenas o segmento de crédito no varejo. Incluindo todos os segmentos ? varejo, imobiliário, créditos corporativos, e contas de utilidades ? o total pode chegar até US$120 bilhões ao ano.
O impulso desse setor no Brasil se mede em números. No começo da década, de acordo com a RCB, o volume negociado de todo o mercado era de cerca de R$ 6 bilhões. Já em 2015, a estimativa da empresa é que o valor passou de R$ 20 bilhões, sem contar os segmentos imobiliário e corporativo. "O mercado prevê que, nos próximos anos, este valor pode ultrapassar a marca de R$ 50 bilhões ao ano", destaca Toledo.
Para Alexandre Nobre, plataformas especializadas em gestão de crédito têm foco exclusivo nestes nichos, investindo recursos humanos, financeiros e tecnologia que muitas vezes não se justificam dentro de um banco ou corporação cujo core business não é, e nem deve ser, a recuperação de créditos já lançados a prejuízo. "Ao vender uma carteira num ambiente competitivo, o banco ou empresa garante para si um preço justo, antecipando capital que pode ser canalizado para novas concessões de crédito, redirecionando recursos internos para suas atividades core, o que reduz custo e aumenta a eficiência", afirma Nobre.
Nobre ressalta que em um mercado financeiro competitivo, esse ganho ajuda na oferta de crédito e na redução de juros do sistema como um todo. "Para o consumidor, as gestoras especializadas têm mais "paciência" e flexibilidade para oferecer planos de pagamento adequados às possibilidades reais do cliente, e não forçar, insistentemente, condições que muito provavelmente não seriam honradas", emenda.
No Brasil, assim como nos mercados desenvolvidos, bancos, financeiras e empresas têm concluído que existem ganhos diretos e indiretos numa estratégia de venda de carteiras NPL. Nos últimos anos, instituições têm se estruturado para viabilizar a securitização dessas carteiras de forma consistente e recorrente. "Diferentemente do que muitas vezes é noticiado, a motivação não é "limpar o balanço" ou reduzir índices de inadimplência num momento de aperto econômico como o atual, mas sim parte de uma estratégia de longo prazo geradora de valor. Há hoje, no Brasil, diversas gestoras especializadas, altamente capacitadas e com amplo acesso a capital que dão a segurança de transações bem sucedidas", acrescenta Renato Toledo, sócio da RCB Investimentos.