Releases 10/07/2013 - 17:18

Entidades civis não querem reabertura da Estrada do Colono


Entidades brasileiras somando quase mil organizações não governamentais enviaram hoje um alerta à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e à União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) sobre uma nova tentativa de abertura da "Estrada do Colono", em tramitação no Congresso Nacional. A estrada de quase 18 quilômetros cortava ao meio o Parque Nacional do Iguaçu, no oeste do Paraná, reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco desde 1986 e como uma das Novas Sete Maravilhas Naturais do Mundo. Foi fechada em 2003 por ordem da Justiça Federal, por ameaçar a integridade do parque e a segurança nacional pela proximidade da tríplice fronteira, entre Brasil, Argentina e Paraguai. Hoje, está praticamente tomada pela vegetação nativa. A nova proposta de abertura é capitaneada pelo deputado federal Assis do Couto (PT-PR), cuja aprovação, associada a outros projetos em tramitação no Congresso Nacional, abriria um perigoso precedente para enfraquecimento do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Lei 9.985/2000) e da proteção da biodiversidade e dos serviços ambientais no país. Entre 1999 e 2001, o Parque Nacional do Iguaçu esteve na lista dos Patrimônios Mundiais em Perigo, justamente por outra tentativa de abertura da Estrada do Colono. O Projeto de Lei 7.123/2010 tramita no Congresso apoiado em manobras políticas, na tentativa de assegurar sua aprovação no menor prazo. Sua aprovação pode ocorrer ainda em julho. Amanhã (9), será votada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. "O autor do projeto e seus defensores apontam que a estrada promoverá preservação, educação ambiental e o desenvolvimento sustentável regional, enquanto estão amplamente registrados e compreendidos os impactos de estradas sobre áreas protegidas. Ao analisar os dados históricos, não se encontram quaisquer efeitos positivos da Estrada do Colono sobre a economia local e regional, e muito menos em escala estadual ou nacional", lembra a carta.