Releases 26/06/2026 - 16:52

Empreender em tempos de mudança: comportamento, propósito e adaptação entram no centro das decisões


No Rio de Janeiro, encontro promovido pelo Itaú Empresas reúne lideranças empresariais, especialistas e empreendedores para discutir consumo, transformação cultural e crescimento sustentável.

Em um cenário marcado por transformações aceleradas no comportamento das pessoas, mudanças tecnológicas e novos padrões de consumo, compreender o presente tornou-se tão importante quanto planejar o futuro. Para empresas de todos os portes, o desafio já não está apenas em oferecer produtos ou serviços, mas em entender as necessidades de consumidores cada vez mais informados, conectados e exigentes.

Foi justamente essa reflexão que guiou o encontro Experiência Itaú Empresas Rio de Janeiro. O evento reuniu empresários, executivos e especialistas para discutir como comportamento, cultura, inovação e estratégia vêm redefinindo a forma de empreender e crescer no País.

Na abertura, o diretor do Itaú Empresas, Marcelo Gambarini, destacou a importância das pequenas e médias empresas para a economia brasileira e o compromisso da instituição em apoiar o desenvolvimento desses negócios. “Ao longo dessas três décadas de carreira, eu pude perceber que os empreendedores têm características em comum: paixão, propósito, coragem e resiliência. Porém, muitas vezes, um sentimento que vem à tona na jornada do empreendedor é a solidão - a sensação de ser ao mesmo tempo o comercial, o financeiro, o jurídico, o tributário. E uma das formas de atenuar esse sentimento é propiciar um ambiente de conexão.”

Segundo o executivo, a atuação do banco vai além da oferta de crédito. “A nossa maior ambição, enquanto Itaú Empresas, é conseguir apoiá-los a tomar as melhores decisões para o seu negócio e crescer junto com vocês”, reforçou.

Mudanças culturais

A primeira palestra da noite foi conduzida pelo antropólogo e especialista em comportamento Michel Alcoforado, que apresentou uma análise das transformações culturais que já impactam mercados, marcas e consumidores.

Para ele, compreender as mudanças sociais tornou-se um diferencial competitivo para empresas que desejam manter relevância. “Boa parte das vezes, quando criamos um produto, acreditamos tanto nele que nos esquecemos de perguntar se alguém realmente está querendo aquele item”, alertou.

Alcoforado destacou fenômenos como o envelhecimento da população, a redução do tamanho das famílias, a digitalização das relações de consumo e a crescente busca por autonomia e bem-estar. “A gente compra um produto porque acredita que a vida vai melhorar depois que compra esse produto. É isso que está por trás das decisões de consumo”, explicou.

Segundo o especialista, a transformação digital ampliou o poder de escolha dos consumidores e reduziu os níveis de fidelidade às marcas. “O consumidor está sempre em estado de quase compra. Ele está quase comprando o tempo todo, mas precisa acontecer alguma coisa para tomar a decisão”, afirmou.

Coragem para decidir

Na sequência, a jornalista Aline Pacheco mediou um painel com três empreendedores que compartilharam experiências sobre crescimento, gestão e tomada de decisão. Fundadora da Janela Livraria, Marta Ribas relembrou o início da trajetória empreendedora e a criação de um negócio baseado em propósito e conexão com a cultura. “A gente tem duas palavras que repete até hoje, desde o início: afeto e coragem. São dois sentimentos que nos movem”, disse.

À frente da Wap Air Engenharia, Paola Miller destacou a importância do planejamento na gestão empresarial e afirmou que coragem e preparação precisam caminhar juntas. “A coragem sozinha para assumir um desafio não é suficiente. Eu trabalho muito com planejamento, fatos, dados e análise de risco. Você se prepara para o pior e espera o melhor”, afirmou.

Já o chef e empresário Felipe Bronze, fundador da Bronze e FOMO, falou sobre a transição de uma carreira construída em torno da própria imagem para a criação de um negócio capaz de gerar legado. “Eu descobri que não tinha uma empresa. Eu tinha 13 empregos. Tudo que eu deixasse de fazer imediatamente deixava de gerar receita. Foi quando comecei a pensar em como transformar esse ecossistema em algo que pudesse existir além de mim”, contou.

Olhar econômico

Durante o evento, o economista do Itaú Pedro Renault apresentou uma análise do ambiente econômico internacional e dos seus impactos sobre o Brasil. Em sua avaliação, as tensões geopolíticas no Oriente Médio e os efeitos sobre o mercado de petróleo devem continuar pressionando a inflação global e limitando o espaço para reduções mais expressivas dos juros.

Segundo ele, o cenário exige cautela, especialmente para empresas expostas a variações cambiais e custos financeiros. “O preço do petróleo não vai voltar a ser o que era tão cedo. Isso significa mais pressão inflacionária, juros elevados por mais tempo e um investidor global mais seletivo na hora de tomar risco”, afirmou.

Renault destacou que, apesar das incertezas, o Brasil segue apresentando vantagens competitivas importantes no longo prazo, como sua relevância no agronegócio, o potencial da economia verde e a estabilidade institucional. “Tem coisas de longo prazo que nos deixam otimistas com o Brasil. Temos uma economia que pode se beneficiar da reorganização das cadeias globais, uma potência verde e melhorias que já sabemos exatamente como implementar”, observou.

Conexões que geram valor

Ao longo da noite, uma mensagem esteve presente em diferentes momentos do evento: crescer exige adaptação constante. Seja pela necessidade de compreender novas demandas dos consumidores, pela gestão dos riscos ou pela construção de negócios capazes de se perpetuar.

Em comum, palestrantes e empresários reforçaram que inovação não depende apenas de tecnologia, mas também da capacidade de observar mudanças, criar conexões e tomar decisões consistentes diante das incertezas. Como resumiu Gambarini, o objetivo é fortalecer uma rede capaz de apoiar quem empreende. “A coragem para decidir é de vocês. Mas caminhar junto é com a gente.”