Valor corresponde a mais da metade do gasto de todo o Sudeste; dados são da plataforma Gasto Brasil, que será lançada em painel na Câmara dos Deputados em 11 de agosto
Despesa pública de São Paulo atinge R$ 170,8 bilhões e equivale a 5% do PIB estadual
Valor corresponde a mais da metade do gasto de todo o Sudeste; dados são da plataforma Gasto Brasil, que será lançada em painel na Câmara dos Deputados em 11 de agosto
Foto: gerada por IA
A despesa pública primária d o estado de São Paulo chegou a R$ 170,8 bilhões em 2026, segundo dados da plataforma Gasto Brasil. Considerando uma população de 44,4 milhões de habitantes no estado, o valor equivale a um gasto de R$ 3, 8 mil
p er capita. Até a data do levantamento, realizada em 2 9 de julho de 2026, o Gasto Brasil representou cerca de 5% do PIB estadual de 2025, que foi de mais de R$ 3,4 trilhões.
Em âmbito nacional (União, D istrito Federal, e stados e municípios), a despesa governamental atingiu a marca de mais de R$ 3, 2 trilhões. Desde o início de 2026, o governo federal respondeu por R$ 1,4 9 trilhão (46% ) do total do gasto público.
As U nidades Federadas (UF) consumiram R$ 8 72,1 bilhões, dos quais R$ 333,2 bilhões corresponde ra m às despesas públicas primárias do conjunto de estados da região Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo). Já os municípios totalizaram gastos equivalentes a R$ 8 55,1 bilhões no período avaliado.
Outro dado importante é que, na comparação com informações do Impostômetro, apurados no mesmo dia, a despesa pública brasileira superou em quase R$ 9 00 bilhões o valor total da arrecadação de impostos no país (R$ 2, 3 trilhões).
Criada em 2025 pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), em parceria com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a plataforma Gasto Brasil reúne informações online (da União, D F, estados e municípios) sobre despesas com pessoal, previdência, encargos sociais e investimentos, incluindo obras, aquisição de imóveis e outros gastos públicos.
Para o líder nacional do associativismo e presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, a transparência do gasto público é um direito da sociedade. "O que pagamos em impostos deve ter retorno social para a população. No entanto, o que verificamos é que a despesa pública ultrapassa bastante o valor da arrecadação. Então, a conta não fecha. Ficamos diante de um cenário que exige, urgentemente, uma reforma administrativa, mais planejamento e controle fiscal", afirma Cotait.
Lançamento na Câmara
Para ampliar a divulgação dos dados sobre despesas públicas, a CACB e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) farão o lançamento do "Painel Gasto Brasil" na Câmara dos Deputados, no dia 11 de agosto.
Na ocasião, serão lançadas novas funcionalidades na plataforma para aumentar ainda mais o nível de transparência de dados para a população, com recortes econômicos, valores mais detalhados por população, índice de qualidade da informação e outros dados relevantes.
A solenidade será às 15h30, no Salão Nobre da Câmara, com as presenças dos presidentes da CACB, Alfredo Cotait Neto, e da CNA, João Martins. Também haverá a exposição do "Painel Gasto Brasil", que ficará até o dia 13 de agosto no Espaço Mário Covas.
Monitoramento
De acordo com o coordenador da plataforma Gasto Brasil, Cláudio Queiroz, a proposta da CACB e ACSP é tornar acessível à sociedade os dados sobre as despesas públicas, reunidas em um só lugar. "A ferramenta unifica informações oficiais e apresentá-las de forma mais simples, permitindo que qualquer cidadão acompanhe esses gastos ", afirma.
Para a p residente da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto ( Acirp ), Sandra Brandani, o Brasil precisa tornar os gastos públicos mais eficientes. Para ela, o país não enfrenta um problema de falta de recursos, mas, sim, de qualidade na aplicação do dinheiro público. "O Brasil já gasta muito. O problema é que gasta mal", resume.
Ao falar da criação da ferramenta, Brandini afirma que são necessários três pilares essenciais para mudar o cenário: transparência, regras fiscais mais efetivas e uma gestão pública voltada para a eficiência.
Desafio para a economia
Marcos Pestana, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão técnico e apartidário vinculado ao Senado Federal, avalia que o principal desafio da economia brasileira em 2026 continua sendo o desequilíbrio das contas públicas. Para ele, a disciplina fiscal é um dos pilares de uma política econômica sólida, e a persistência de déficits primários vem comprometendo o crescimento sustentável do país.
"Em 2026, completamos o 13º ano consecutivo de déficit primário. Isso provoca um crescimento acelerado da dívida pública, reduz a confiança na economia e pressiona tanto a inflação quanto a taxa de juros", explica.
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