São Paulo - SP--(
DINO - 26 out, 2016) - O que mais vale no mundo? Apartamentos luxuosos? Mansões? Ter contas bancárias na Suíça? Carros importados? Roupas de marcas estrangeiras? Morar em bairros nobres da sua cidade? Enfim, qual deles vale mais? Sim, porque todos eles valem muito, e muito dinheiro? Mas o que vale mais no mundo, se me permitem dizer, sem ser piegas ou usar clichês universais em demasia, o que mais importa é a vida que se tem. Claro, se a vida que se tem traz tudo o que foi mencionado acima, com certeza é uma vida repleta de prazeres, obviamente, digna de um "bon vivant". Mas, a cada dia que passa notamos que o que importa é mesmo a felicidade, seja ela qual for. Não é porque a maioria das pessoas no mundo tem esses privilégios que a vida não vale a pena. E esse é o ponto. A vida vale a pena quando se é vivida dignamente (com privilégios ou não), basta segui-la da melhor maneira. Em outras palavras, acredito que a simplicidade é a chave de uma boa vida, algo como um "bon vivant" que pode viver bem com pouco dinheiro, ou mesmo sem nenhum. O que vale é aproveitar a vida.
O que eu falo, senhores, é sobre a simplicidade de viver. Ah... a simplicidade talvez seja o maior e o melhor dos adjetivos deste nosso moderno mundo. Outro dia, lembrei de minha adolescência, onde fazia colégio técnico no
curso de eletrônica . Bateu saudades. E sabe por quê? Porque a vida era bem mais simples. Não só por N fatores, mas por relembrar a simplicidades das coisas. Na época, usávamos
ferro de solda para fincar definitivamente os
componentes eletrônicos em uma placa de
circuito integrado para, ali mesmo, fazermos nossas medições no
multímetro analógico da escola, e que já faz tempo que hoje é comum um
multímetro digital . Mas voltando à solda, pode parecer exagero meu, mas, só de lembrar este tempo eu senti o cheiro do
estanho sendo queimado pelo ferro. Não acredita? Pois é verdade.
Nós temos memória afetiva, memória visual, auditiva e até olfativa, enfim, a verdade é que temos memória sensorial, e este fator sensorial me levou para os tempos do
fusível queimado (agora me aguçou a memória visual vendo ele todo escuro dentro de seu compartimento onde se via uma espécie de minúscula linha que, no caso, se arrebentava pelo excesso de tensão no circuito). Mas saindo dos pequeninos componentes, o que eu queria dizer é que a simplicidade das coisas dava o tom da época. Não que não fosse complicado calcular as tensões, corrente elétrica, resistências, ganho de
transistor , a diferença de potencial (mais conhecida como DDP), e tantas outras medições, mas, mesmo neste circuito fechado da memória, é notória a saudade de uma simplicidade que não existe mais. Aquela simplicidade de medir as coisas com calma, com jeito, com os olhos atentos aos pequenos componentes na placa, com a delicadeza de olhar, descobrir e analisar que tudo parecia difícil, mas que, fazendo tudo certo, tudo ficava simples.
Tudo simples até à página do
osciloscópio digital , que era lindo, mas nunca foi fácil de medir. Eu queria ter um
osciloscópio naqueles tempos. Queria ter um bem bacana pra ficar fuçando em casa. Pra falar a verdade, mesmo estando em profissão totalmente fora das exatas, acho que eu ficaria bem contente de ter um osciloscópio em casa hoje. Pra fazer o quê, diabo? Não sei. Não sei mais medir uma senoide, mas que era um barato ver as ondas sendo aumentadas e diminuídas de acordo com o que se pedia no momento, isso sim, era simplesmente demais. A saudade vem, e junto com ela, a simplicidade de um tempo que não tem volta, nem "voltagem", afinal, se tem uma coisa que eu aprendi foi que o termo "voltagem" não existe, mas sim, o termo "tensão".
Ficou tenso? Entrou em choque? Relaxe. São apenas neologismos informais da área das exatas que adentraram em nossas vidas, vidas estas que passam como um relâmpago, mas que duram como uma chuva inteira. E lembre-se: se a chuva cair, não fique embaixo da árvore. Porque o que mais vale é a nossa vida. Simples assim.
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