Goiânia, GO--(
DINO - 27 set, 2016) - Durante mais de 20 anos de atuação como gestora, comprovei o quanto valeu a pena ter dado uma segunda chance. Quando o colaborador "pisava na bola", mas reconhecia, ganhava uma nova oportunidade e se dedicava mais, elevando ao máximo o seu potencial na atividade realizada. A única razão que não cabia uma segunda chance era a quebra de confiança por motivos irreparáveis, que acarretavam em prejuízos de maior amplitude, ou quando o colaborador, mesmo depois de advertido, repetia o mesmo erro.
Hoje, me faço a pergunta: como as pessoas estabelecem, fortalecem e reconstroem a confiança? Um aperto de mão é suficiente para garantir a confiança? Se essa pergunta fosse feita há décadas, a resposta provavelmente seria sim.
As pessoas consideravam a confiança como um atributo de grande valor. Por isso, não havia razões que justificassem a quebra de um acordo, mesmo que fosse informal, selado com um aperto de mão ou por meio do acordo feito pela troca de um "fio de bigode" - expressão que se encaixava perfeitamente bem no passado, porque negócio era assunto para homens e todos eles usavam bigode. Mas, para isso, era preciso honrar a condição de "macho". Deixar de cumprir um compromisso era inadmissível. Ou seja, melhor ficar no prejuízo do que colocar em risco a confiança.
Será que hoje a confiança é levada a sério, com o mesmo rigor? Considerando que sua base são o caráter e a competência, a causa da ruptura desse elo tão importante, se dá mais pela falta de um desses valores isolados ou por ambos, na mesma proporção?
Uma pesquisa realizada com 200 pessoas, em um questionário via internet, no mês de julho de 2016, avaliou o grau de confiança nos dias atuais. 94% dos entrevistados afirmaram acreditar que caráter e competência são fatores determinantes para que a confiança seja estabelecida. Isso mostra que os valores que geram a confiança continuam tendo a mesma relevância, o que muito se questiona é sobre o motivo que leva as pessoas a quebrarem e/ou a perderem a confiança conquistada.
Embora estudo seja voltado para a liderança organizacional, a visão sobre a confiança tem abrangência ampla, atingindo diversas áreas, entre elas, a liderança política. O resultado apontou uma grande disparidade entre a confiança governamental e organizacional no País. Segundo uma pesquisa realizada pelo Ibope, em 2015, partidos políticos, Congresso Nacional e presidente da república tiveram o pior resultado dos últimos tempos, afetando ainda mais a confiança neles depositada.
Outro dado interessante é que 84,5% dos participantes afirmaram que dariam uma nova oportunidade àquele colaborador que errou, mas que, em seguida, reconheceu sua falha. As pessoas têm boa vontade para reconstruir a confiança, porém é preciso haver uma capacidade do colaborador em dizer a verdade e admitir o erro. Podemos entender que, mesmo que a falha tenha ocorrido por pouca competência técnica, é preciso ter caráter e humildade para se retratar.
Ora, o problema não está em cometer falhas, mas em não as reconhecer e não as reparar. Admitir o erro, imediatamente, é tão importante quanto não cometer erros, já que, em um cargo de liderança, 139 pessoas, ou seja, 69,5%, consideraram que nada é mais importante do que ser confiável.
Vale lembrar que a perda de confiança compromete ainda as oportunidades futuras. 72,5% das respostas afirmaram que a confiança é fator fundamental no mundo dos negócios. Se a pergunta fosse direcionada para a política, com certeza, esse índice teria sido ainda maior, uma vez que a intolerância tem se instalado cada vez mais contra a repetição dos mesmos erros no País.
Ao contratar seus colaboradores, a organização deve fazer primeiro um alinhamento entre os valores, estabelecendo a importância de manter essa relação congruente durante a parceria que se estabelecerá a partir dali.
E já que a confiança é estabelecida pela competência e pelo caráter, compartilho algumas dicas e considerações extraídas do livro "Execução - A disciplina para atingir resultados", Ram Charan e Larry Bossidy. Essas atitudes, a meu ver, têm o poder de ativar e potencializar competências, gerando assim a confiança.
1) Conhecer seu pessoal e a empresa.
Vale para superiores, pares e subordinados. Quanto mais nos fazemos conhecer e conhecemos aos demais, mais bem estabelecida será a confiança.
2) Insistir no realismo.
Encarar os fatos é uma forte atitude para gerar confiança, uma vez que criar expectativas com base em ilusões pode acarretar em decepção.
3) Estabelecer metas e prioridades claras.
Quanto melhor definidas, mais garantidos serão os resultados. Quanto mais resultados forem alcançados, maior será a confiança pela competência.
4) Concluir o que foi planejado.
Quando concluímos o que começamos, a tendência é que nos seja confiado ainda mais. Esse é um fator comum na lista de sucesso das pessoas que conquistaram cargos mais elevados dentro das organizações.
5) Recompensar quem faz.
Quando reconhecemos o desempenho dos outros e os valorizamos, fortalecemos, não somente a confiança, mas o respeito e a admiração deles por nós.
6) Ampliar as habilidades das pessoas pela orientação.
O sucesso da comunicação é certificar-se de que o outro compreendeu a mensagem. Ter este cuidado é um forte gerador de confiança.
7) Conhecer a si próprio.
Talvez um dos mais importantes pontos, pois pressupõe que conhecer-se é o primeiro passo para ser autoconfiante. Quem não confia em si, como pode esperar confiar ou obter a confiança do outro?
Shirley Brandão é administradora, master coach, especialista em liderança e gestão organizacional (Franklin Covey). É autora do blog Máximo do Mínimo, no qual compartilha temas relacionados ao coaching, à liderança, gestão de pessoas. Em breve, lançará um livro sobre a importância da confiança para estabelecer e fortalecer conexões positivas nos dias de hoje. Contato: (62) 98121-9152 E-mail:
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