Releases 31/07/2026 - 16:15

Acordo Mercosul-Singapura é visto como porta de entrada para produtos brasileiros no mercado do Sudeste Asiático


SP Chamber da ACSP aponta que acordo é estratégico para diversificação de destinos das exportações brasileiras

Foto: Gerada por Inteligência Artificial

Empresas brasileiras que exportam e importam de Singapura passam a contar com novas vantagens comerciais nas operações, com a entrada em vigor, em 1º de agosto, do Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e o país asiático. Para a São Paulo Chamber of Commerce (SP Chamber/ACSP), braço internacional da Associação Comercial de São Paulo, o acordo representa um avanço estratégico para ampliar a presença das empresas brasileiras no mercado asiático e diversificar destinos.

"O acordo vai além de um instrumento de redução tarifária. É uma plataforma para ampliar a presença das empresas brasileiras nas cadeias de valor da Ásia. Singapura é um dos mais importantes centros logísticos, comerciais, tecnológicos e financeiros do mundo. Sua localização e sua ampla rede de acordos comerciais fazem do país uma porta de entrada estratégica para os mercados do sudeste asiático e para os demais integrantes da Associação de Nações do Sudeste Asiático, a ASEAN", analisa Maurício Manfré, assessor de Relações Internacionais da SP Chamber.

De imediato, o acordo garante aplicação de tarifa zero para 100% dos produtos do bloco exportados ao mercado de Singapura. Já os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) cumprirão um cronograma de liberalização de 95,8% do seu universo tarifário.

O impacto no PIB

Promulgado pelo decreto presidencial nº 13.081, publicado em 28/7, o acordo tende a fortalecer uma corrente de comércio que já movimenta US$ 10,66 bilhões. Um estudo de impacto conduzido pela Secretaria de Comércio Exterior do MDIC indica que o acordo pode levar a um incremento acumulado de R$ 28,1 bilhões ao PIB brasileiro até 2041, bem como aumento de R$ 11,1 bilhões nos investimentos no mesmo período, com a corrente de comércio saltando de US$ 9,4 bilhões em 2022 para US$ 49,1 bilhões em cerca de 20 anos.

Singapura figura entre os dez principais destinos das exportações brasileiras (US$ 7,35 bi em 2025), com destaque para o agronegócio, onde as proteínas animais estão entre os principais produtos brasileiros vendidos ao país. No ano passado, as exportações de carnes de aves e suas miudezas alcançaram US$ 282,4 milhões, enquanto a carne suína somou US$ 211,9 milhões e a carne bovina, US$ 122,6 milhões, reforçando a importância da indústria de transformação na pauta comercial entre os dois países.

A indústria extrativa é responsável por grande parcela da pauta de exportações, registrando em 2025 US$ 1.223,1 mi na comercialização de óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, no estado cru.

Diversificação de oportunidades

Na análise da SP Chamber, com a eliminação tarifária e o estabelecimento de regras mais claras e previsíveis, o acordo poderá contribuir para a diversificação da pauta exportadora, incluindo alimentos e bebidas, produtos industriais, tecnologia, serviços e soluções relacionadas à economia digital.

Além de tarifas, o acordo também apresenta disciplinas sobre comércio de serviços, investimentos, facilitação do comércio, propriedade intelectual, compras governamentais, medidas sanitárias e fitossanitárias, pequenas e médias empresas e comércio eletrônico. Aliás, é o primeiro acordo negociado pelo Mercosul com um parceiro extrarregional que recebe um capítulo específico sobre comércio eletrônico.

"Os capítulos relacionados à facilitação do comércio, aos serviços, aos investimentos e à economia digital são especialmente importantes para empresas que buscam utilizar Singapura como base comercial, financeira, logística ou tecnológica para sua expansão no continente asiático", ressalta Manfré.

A SP Chamber também destaca que o acordo estabelece procedimentos mais modernos para comprovação e verificação de origem, e inclui mecanismos para a simplificação dos trâmites aduaneiros, medidas que podem reduzir custos operacionais, aumentar a segurança jurídica e conferir maior previsibilidade às operações comerciais.

O acordo com Singapura já está valendo no Paraguai desde fevereiro e entrou em vigor n o Uruguai em março.

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